12/08/2008

A ROTINA E A QUEDA DA LIBIDO*

Dr. Marcelo Pacheco

No início era tudo divino e maravilhoso, mas a rotina é cruel”. Essa frase-clichê costuma permear o discurso de muitos casais para justificar certo desânimo com o parceiro, especialmente nos chamados pares de “meia idade”. O curioso é que cada um de nós certamente se já não repetiu, pelo menos ouviu algumas vezes comentários nessa linha. No entanto, o que parece ser tão normal beirando à bobagem pode ter causa orgânica e tratamento.

É cada vez mais comum ouvir queixas de pacientes sobre o relacionamento afetivo durante a consulta. Os avanços da andrologia despertam o interesse dos homens para a qualidade da vida afetiva, e a questão sexual ocupa lugar de destaque.

Uma conversa franca e detalhada sobre como anda o seu relacionamento mostra pistas referentes ao afastamento do casal e, em alguns casos, o problema pode ser orgânico.

A discussão sobre a Andropausa é atual. Esta designação foi criada para as alterações masculinas compatíveis com o envelhecimento semelhante à menopausa feminina. Na verdade se trata de um termo inadequado, já que nas mulheres há a interrupção dos ciclos ovulatórios.

Os homens não cessam a produção de espermatozóides. O que há é uma progressiva redução de testosterona. Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) parece ser um termo mais correto.

É cada vez mais difundida a idéia de que queixas sobre déficit da libido, alterações de humor, distúrbios de sono, desânimo com atividades antes prazerosas em pacientes de 40 anos ou mais são indicativos fortes de distúrbio androgênico.

Pacientes que apresentam tais sintomas devem ser investigados para que o especialista possa verificar os níveis de testosterona.

O uso indiscriminado de testosterona, com formulações que não garantiam níveis fisiológicos deste hormônio aumentou o número de efeitos colaterais e a diminuição das indicações de reposição. Com o lançamento de novas formulações temos uma nova retomada da reposição hormonal masculina. Esta tendência é avalizada por estudos recentes que mostram sua eficácia e segurança para casos com indicação precisa.


*Dr.Marcelo Pacheco é Urologista.

Escrito por Bety em 12/08/2008

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