CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
PERGUNTA: Querida Bety, boa noite!! Tenho 55 anos, um filho de 26 anos, divorciada, trabalho há 32 anos, sou aposentada e continuo trabalhando na mesma empresa; Meu filho é fruto do meu casamento, que durou uns 10 anos (aos trancos e barrancos). Vc nem imagina o quanto eu sofri com a separação, pensei de não superar, mas com a graça de "DEUS", que é todo poderoso, transpus uma das barreiras.Bety, vou relatar uma das passagens c/esse meu ex. Na época que éramos casados eu ganhava um pouco mais que ele, morávamos de aluguel e meu filho era pequeno e estudava em colégio particular. Ele queria fazer faculdade mas o dinheiro não dava para tantas ressponsabilidade, então sugeri que ele fizesse a faculdade e nosso filho continuasse a estudar em colégio particular, que eu assumiria o aluguel, as compras e a metade do colégio do nosso filho. Ele prontamente aceitou e me disse que essa faculdade p/ele no trabalho, seria motivo de ascensão, ele começou a fazer a faculdade, um belo dia eu descubro na bolsa dele, um cartão endereçado a uma pessoa, cheio de juras de amor, muito carinho etc... eu descobri que essa garota era da faculdade, aí começou o meu problema. Para minimizar o assunto, faltando uma semana para a formatura dele, ele saiu de casa e foi morar na casa da mãe. Nesse meio tempo ele se formou e levou a outra na formatura, eu soube por acaso. (o anel de grau, eu ajudei a comprar). Depois dessa ainda voltamos e ele aprontou outras., moral da história ele está casado c/ outra e tem 2 filhos. Ficamos um bom tempo sem falar, porém um belo dia ele me pediu perdão, eu aceitei, mas de vez em quando eu me lembro. Você acha que eu ainda não perdoei?
Passados uns 2 anos eu conheci uma outra pessoa, que por concidência trabalha na mesma empresa que eu, ficamos juntos durante uns 11 anos, estava feliz, gostavamos das mesmas coisas, passeávamos muito, viajávamos, eu agradecia a DEUS por ter colocado aquela pessoa maravilhosa no meu caminho. Bety tinhamos um grupo de amigos e saiamos sempre juntos, as pessoas teciam elogios em relação ao nosso relacionamento. Quando eu o conheci ele era casado, mas não fui eu que o tirou de casa. Ele alegou que não vivia bem com a mulher e me disse "se não for você, será com outra". Nisso tudo havia um agravante, ele era muito ciumento. Volta e meia ficávamos sem nos falar, sempre com ceninhas de ciúme, e ele aproveitava as brigas que arrumava para sair sozinho.
Quando o ele veio morar comigo estava muito endividado, mesmo assim me ajudava bastante. Ele pagava o aluguel e me ajudava nas compras. Um belo dia ele me disse que não tinha mais condições de arcar com as despesas pois as dívidas aumentaram. Ele tinha carro, uma pequena casinha em Angra que exigia manutenção. Então ele sugeriu que eu pegasse um empréstimo na nossa empresa em meu nome (R$3.000 mil) e ele pegaria outro no nome dele, no mesmo valor, para sanar as dividas. Assim fizemos e ele me disse que havia pago tudo.
No mês seguinte começou a minha crucis. Ele brigava por nada, via coisas onde não existia, inventava que os homens estavam olhando para mim. Resumindo, nossa vida virou um verdadeiro inferno e não tive outra solução senão mandá-lo embora. Bety ele não titubeou. Imediatamente encostou o carro, colocou tudo dentro e foi embora, sem nem argumentar. Não pagou uma prestação sequer do empréstimo, cheguei a triste conclusão que era isso que ele estava esperando. Mais uma vez fui pisada, estraçalhada, tripudiada etc... Tem exatamente 5 anos que estamos separados.
O mais triste disso tudo é que não restou nem uma amizade. Querida Bety, o pior dessa história é que depois desse tempo todo, até a data de hoje eu não sei dizer o que eu ainda sinto por ele. Lembro dele nos dias de sol, que passeávamos muito, carnaval que viajávamos... Moral da história: não sei dizer se o que sinto por ele, se é mágoa, se faltou oportunidade de conversarmos. SÓ NÃO PODE SER AMOR". Diante do que te relatei o que você acha?.
RESPOSTA: Querida amiga, por esses relatos que estou te enviando esse e-mail , pedindo sua orientação, pois admiro muito você, me parece uma pessoa séria, altiva, positiva, carinhosa com as pessoas que a procuram, você é muito especial.
Escrito por Bety em 27/06/2008
DAS ESCOLHAS PESSOAIS E ESCOLHAS INDUZIDAS
por Thiago Vaitsman Bastos, psicanalista
Preciso decidir! Em meu caminho pela vida encontro uma bifurcação e tenho que escolher o rumo a tomar. Como optar? Quando optar? De onde vêm minhas motivações? Meus medos? Ajo de maneira rápida e decidida ou espero e avalio, para fazer uma escolha mais ponderada?
Motivações sentimentais, profissionais ou sociais, todas elas mobilizam nossos afetos e provocam alguma incerteza ou angústia no momento de decidir e agir, não importa se o fazemos com confiança e sem perda de tempo ou se titubeamos e seguimos adiante cheios de dúvidas. De qualquer maneira fazemos escolhas, pois não somos capazes de suspender o tempo e prolongar nossas vidas para vivê-las a partir do momento de nossas resoluções. A vida segue e acontece, não importa que opções tomemos.
Seja nossa opção agir ou esperar, nunca podemos ter absoluta confiança no desdobramento de nossas escolhas. Elas podem até acontecer como as imaginamos, mas geralmente será um pouco diferente. Então, o que fazer? Como decidir? O que esperar?
Para lidar com essas perguntas, muitas vezes bastante angustiantes, pedimos socorro a pessoas nas quais confiamos, sejam elas amigos, conselheiros, terapeutas, parentes e afins. Esse pedido de ajuda, conselho ou opinião, muitas vezes mascara uma dificuldade ou impossibilidade da pessoa assumir a responsabilidade por suas ações e escolhas. Responsabilidade e culpa. Se não assumo a responsabilidade por aquilo que escolhi fazer, se aquilo que fiz foi recomendado ou sugerido por uma outra pessoa, não posso ser considerado culpado por qualquer coisa que venha a não dar certo. Posso sempre regozijar-me ou lamentar o sucedido, mas nunca assumir a decisão do ato e suas conseqüências.
Contudo, esperar que outros ajam ou decidam por nós, nos livrando de uma grande responsabilidade, a responsabilidade pela vida, não passa de ilusão. De qualquer maneira decidimos. Decidimos decidir ou decidimos deixar para outros as decisões sobre nossas vidas. E somos responsáveis por isso. Portanto, precisamos ficar atentos, principalmente se necessitamos sempre de um conselho ou de uma opinião para tomar uma atitude. Conselhos geralmente são bons se dados com boas intenções, mas não podem e não devem substituir, em hipótese alguma, nosso poder de decisão.
Escrito por Bety em 26/06/2008
CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
PERGUNTA: Tenho 31 anos e sou casada há 2 anos. Sempre procurei me analisar e buscar pontos em minha vida para melhorar. Faço terapia, leio muito, ouço programas de rádio que ajudam na auto-estima e melhora íntima, assisto programas que me auxiliam, mas sei o quanto é dificil mudar de um dia para o outro. Porém o meu marido me cobra muito, fica perguntando o que tá acontecendo comigo que estou isso e aquilo. Diz que preciso procurar ajuda, mas não faz nada pra mudar o jeito dele, que às vezes é muito grosseiro comigo. Ele não me aceita como sou e diz que sou arrogante. Fico me perguntando por que ele me cobra tanto e não muda em nada. Por que só eu tenho que buscar ajuda. E ele? Será que ele não busca melhorar por que não quer ou por que acha que não precisa? O que fazer nessa situação já que agora as brigas estão sendo constantes e nem sei se isso não levará ao fim do nosso casamento. Ps. Ele tem 42 anos e é divorciado. Tem dois filhos e agora um neto.
RESPOSTA: Primeiro gostaria de explicar que não sei exatamente que coisas seu marido gostaria que você mudasse, mas pelo que pude perceber não são coisas gravíssimas. Uma análise superficial (não tenho dados suficientes para me aprofundar mais) me diz que você está casada com um homem que deseja que a vida e as pessoas girem em torno do que ele sente, do que ele quer. Se for assim, você deve ter uma conversa urgente com ele, sentar e colocar tudo em pratos limpos, ou seja, NEGOCIAR. Se seu marido acha que não precisa melhorar o comportamento, talvez essa conserva o faça enxergar que não é bem assim. E que já que você está fazendo a sua parte, ele também deve fazer a dele se quiser conservar o casamento. Se ele NÃO QUER melhorar, aí a história é outra e você terá que decidir se quer ficar casada com um homem assim. Não me parece nada agradável para uma pessoa com a sua lucidez investir num relacionamento que, a primeira vista, parece ser um relacionamento com um tirano. Curioso é que, lendo a sua carta, tenho a impressão que você tem um certo medo de enfrentá-lo. Será impressão minha? Tenha a conversa e depois me escreva para que eu possa, com mais dados, orientar você melhor. E não abra mão da sua terapia, a melhor ferramente que você tem atualmente. E lembre-se da seguinte frase, amiga: "Não quero ao meu lado alguém que não me faça companhia e ainda por cima me roube a solidão". Boa sorte, amiga
Escrito por Bety em 25/06/2008
CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
PERGUNTA: Oi Bety, tenho 50 anos sou casado há 25 e tenho 3 filhos. Meu casamento acabou por parte de minha esposa. Ela quer a separação mas eu não aceito pois não sei viver sem meus filhos mesmo sendo os três maiores: 18,19 e 21 anos. Já estamos separados de fato, mas ela quer que eu saia de casa. Não me vejo sem os meus filhos. Estou desesperado. Me ajude. Uma palavra pode ser a a luz no fundo do poço que eu estou precisando. Obrigado, um abraço, Luna.
RESPOSTA: Querido amigo, em momentos de desespero o que nós devemos fazer é parar. Parar para pensar, não se entregar ao desespero, ao "não quero que isso aconteça", como se esperneássemos diante de um fato que a vida nos apresenta. Amigo, não há como parar o ritmo dos acontecimentos, o que podemos fazer é enfrentá-los. E como você pode enfrentar um momento como esse? Com lucidez e analisando ponto por ponto. 1 - imagine que seus filhos estivessem casados, você não poderia vê-los diariamente, o que fatalmente vai acontecer dentro de alguns anos
2 - Imagine a tristeza dos seus filhos presenciando diariamente sua esposa querendo que você saia de casa e você não saindo. Eles devem morrer de pena de você e também ficam mal com isso
3 - Sem que você percebe sua auto-estima vai lá para baixo já que vc se recusa a sair de casa. Uma saida h onrosa e muito melhor do que ficar dentro de uma casa sendo tiranizado.
4 - Você diz que não sai de casa, que vai ficar arrasado. Como é que você está se sentindo agora? Imagino que pior do que agora não vai se sentir.
Te dou os seguintes conselhos:
1 - Procure uma terapia. Tenho uma parceria com um grupo de psicólogas que pode te ajudar. Elas são de Niterói, fazem a avaliação e te encaminham para algum tratamento que seja compatível com sua situação financeira.
2 - Saia de casa agora. Ficando você só faz sua mulher ficar cada vez mais irritada e, consequentemente, desprezando você. É só dar o primeiro passo, amigo, você vai conseguir.
3 - Agora feche os olhos e imagine que estou te dando um abraço cheio de energias positivas, que estou passando para você a força que está te faltando. Vá sentindo... sentindo.... e agora, sim, você está mais forte.
4 - E não esqueça amigo, tudo passa, em poucos meses você não entenderá como pôde se sentir assim.
5 - E não se esqueça, seus filhos sempre serão seus filhos e ninguém lhe tirará o direito de vê-los quando você e quando eles quiserem.
Boa sorte amigo, escreva novamente se precisar.
Escrito por Bety em 25/06/2008