Lembranças Olfativas
por Thiago Vaitsman Bastos, psicanalista
Um perfume, um cheiro! Nada melhor para evocar lembranças e desvendar certos caminhos.
Estamos tão acostumados em usar a visão e as palavras para entender nosso mundo que mal nos damos conta de como somos assujeitados pelo olfato. Os odores, muito atrelados a nossa memória afetiva, são fontes de prazer e repulsa; raramente somos indiferentes aos cheiros que sentimos.
Mas, apesar disso, damos pouca importância a este sentido em nosso dia-a-dia. A não ser quando ele se impõe, quando sentimos o cheiro daquela comida no fogão ou quando sentimos o perfume de alguém que, para nós, carrega um significado especial. De qualquer maneira são sensações passageiras, que não perduram em nossa memória por muito tempo após sua percepção, apesar de nos enlaçar.
O cheiro talvez seja nossa ligação afetiva mais primitiva. Ainda bebês, quando somos amamentados, estamos em contato íntimo com o corpo daquela que nos alimenta, com seus odores e seu calor corporal. Ao crescer, vamos nos distanciando aos poucos deste corpo, construindo nossas separações, que sempre deixam marcas, boas ou más.
Todas as separações que se seguirão, pessoais ou profissionais, voluntárias ou obrigatórias, trarão em si as marcas e lembranças desta separação mais primitiva e as possibilidades que ela abriu ou cerrou. Lembranças que podem ter sido vividas como traumáticas e que ficaram gravadas na memória de um bebê há muito esquecido em nós. Quando precisamos resgatar o perfume daquele que não está mais conosco, daquele que nos abandonou por forças do destino ou por vontade própria, estamos tentando recuperar algo que, acreditamos, nos foi tirado e que ainda gostaríamos que nos pertencesse.
Nada mais falso! É claro que temos direito as nossas memórias e lembranças, já que são elas que constroem nossa história e dão valor e significado as nossas vidas, mas quando essas mesmas lembranças nos transformam em reféns de nossa história, temos um problema. Aí vivemos para o que já foi, tentando resgatar algo que já não nos pertence, acreditando que recuperar um cheiro ou repetir um perfume será suficiente para preencher um vazio, quando provavelmente só servirá para realçar a falta, lembranças de um primeira separação.
Então vamos sentir as flores, nos abrir para novos perfumes. Alguns hão de ser acres, mas outros certamente nos trarão doces surpresas ainda desconhecidas.
Escrito por Bety em 26/05/2008
CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
PERGUNTA: Conheço uma moça de treze anos que quer namorar comigo. Eu tenho 24 anos e queria um conselho antes de eu tomar alguma decisão pois gosto dela e não quero fazer nada para prejudicá-la. Não conheço muito as leis e nem sei com quantos anos uma moça pode começar a namorar. Queria saber se a mãe dela permitir, se eu posso namorar com ela? Sei que ela é muito nova para ter um relacionamento mais sério, gosto muito dela e esperaria o tempo suficiente para que ela realmente possa decidir com mais clareza o que realmente ela quer . Mas ser for para o bem dela, me afasto. Ela me disse que tem um rapaz de 28 anos que quer namorar com ela, mas que gosta é de mim. Se eu não aceitar o pedido dela, sei que ela vai estar desprotegida será enganada e depois jogada fora, pois esse mundo está cheio de pessoas sem sentimentos. Quem ama protege. Tenho lido tudo que posso sobre como é um relacionamento com uma moça dessa idade. Sou evangélico e até concordo nesse caso com um relacionamento mais sério só mesmo quando ela estiver mais madura para poder decidir o que ela quer da vida. Ela comentou comigo que hoje em dia está difícil arrumar uma pessoa que não fica com várias pessoas . Eu agradeço a você Bety, pois eu sei que vc irá tratar esse caso com muita atenção. Um abraço mateus.
RESPOSTA: Querido Matheus, essa é uma resposta muito difícil pois depende do grau de amadurecimento da moça. Me parece que ela é bem madura, não quer sair por aí ficando com um e com outro. E me parece que vc é o tipo de rapaz que chamamos de "um rapaz com boas intenções". Não vejo motivo para você não namorar a menina. Acho que é seu estilo fazer tudo com manda o figurino. Então, que tal falar com os pais dela e começar o namoro? Lembrei agora que minha bisavó teve o primeiro filho aos 14 anos e viveu feliz a vida inteira com meu bisavô. Boa sorte Matheus
Escrito por Bety em 27/05/2008
CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
PERGUNTA: Olá, Bety, tenho 26 anos e meu marido 29 e somos casados há 4 anos. Mas namoramos 8, então faz mais ou menos 12 anos que estamos juntos. Gosto muito dele e apesar de já termos passados por algumas idas e vindas, hoje estamos nos dando muito bem e com planos de comprar uma casa só nossa. O que está me afligindo é que não tenho muita vontade no sexo. Acho que é a monotonia do dia-a-dia e tb as responsabilidades. O que devo fazer para melhorar minha vida sexual com ele, pois não pretendo procurar algo fora do casamento?
RESPOSTA: Olá amiga, acho que você deve descobrir o motivo do seu desinteresse sexual. Muitas vezes vamos nos descuidando do nosso lado mulher e, quando vemos, estamos muito distantes do parceiro. Você deve fazer uma análise minuciosa de tudo o que está acontecendo e se responder algumas perguntas: antes você tinha muito interesse sexual? Esse desinteresse atual é só por ele e você faz fantasia com outros homens? Você está com mais atribuições no seu cotidiano do que pode suportar? Enfim, essas são algumas questões que você deve investigar. É claro que é bom dar uma passadinha no médico e verificar se está tudo ok com seus hormônios. Se estiver tudo ok, se vc ainda gosta do seu marido, é só uma questão de temperar a vida a dois, criando situações mais sensuais quando for possível. Tenho certeza que vai valer a pena. Carinho, Bety
Escrito por Bety em 27/05/2008
CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
PERGUNTA: Oi Bety, lembra de mim? aquela lá do morenão. Então bety, já se passaram 8 meses e hoje eu tô me sentindo muito bem, às vezes lembro, choro, mas passa. Isso porque coloquei dentro de mim que o meu morenão está bem e que Jesus e Maria estão cuidando dele. Bem, só vim agradecer pelas palavras q vc me disse, senti q foram duras mas vendo pelo outro lado eu as entendi. Se bem que demorei muito pra entender. Sei que disse a você que ele ficaria no meu coração apenas como meu amigo. Demorou, mas bateu fundo e resolvi seguir em frente. Obrigada pelo carinho e pelas palavras. Abraços. Quellen
RESPOSTA: É claro que lembro Quellen. E sei que as vezes sou obrigada a ser um pouco dura para poder ajudar. Fico feliz de perceber que você viveu aquele afeto, deixou-o partir e hoje ele está guardado onde deve ser guardado. Aí sim, amiga, você vai poder seguir em frente. Peça socorro quando precisar.
Um beijo, Bety
Escrito por Bety em 28/05/2008