17/03/2008

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
PERGUNTA; Oi Betty, tenho 26 anos namoro há três um rapaz de 24 anos e gosto muito dele apesar de todas as nossas diferenças. Sou atriz e professora de teatro, quero ganhar dinheiro sim, mas isso não é uma prioridade na minha vida. Quero ser uma profissional reconhecida, amo o meu trabalho, quero dar o melhor de mim, o dinheiro e recompensa disso é assim que penso. Já ele é formado em Direito, almeja um grande cargo através de concurso para que possa ser muito rico e ter uma grande casa luxuosa carros caros, esse tipo de coisa. Ele é muito inteligente, estudioso e esforçado. Essas coisas já foram motivos para separação uma vez, mas como nos gostamos muito não conseguimos ficar separados. Quando aceitei voltar com ele resolvi que tinha que aceitá-lo do jeito que ele é, que não posso tentar mudá-lo, pois percebi que ninguém muda porque a gente quer. Eu tenho certeza do amor que ele sente por mim, mas ele é frio, nós moramos na mesma cidade, ele tem carro, mas só nos vemos final de semana para não atrapalhar os estudos dele. Antes era por causa da faculdade e do estágio, depois do cursinho preparatório para concurso e o trabalho. Há 15 dias ele entrou de feiras no trabalho achei que íamos nos ver mais já que agora ele só tem um horário por dia ocupado. Mas a impressão que tenho é que piorou, ele não sai muito com meus amigos, são raras as vezes que isso acontece, mas sempre que me chama eu saio com os amigos dele. Nos finais de semana normalmente ficamos vendo filme em minha casa. No início do namoro ele até tinha um interesse em sexo, mas depois isso foi diminuindo. Achei de inicio que era porque ele estava sempre sem dinheiro porque não trabalhava. Quando eu comecei a trabalhar não me opunha a pagar o motel, pois achava que era saudável para a relação termos esses momentos. Depois perdi o emprego e passamos um tempo com uma freqüência bem menor tipo um vez por mês, algumas vezes até mais. Ele começou a trabalhar e achei que tudo ia melhorar, no primeiro mês foi legal parecia que estava tudo bem, eu comecei a trabalhar também, só que aos poucos foi diminuindo e eu comecei a anotar na agenda todas as vezes que a gente faz amor para ver se eu estava certa com relação ao espaçamento ou era coisa da minha cabeça. Foi pior pois percebi que os tempos são maiores do que eu conto, quando vamos a um motel é muito bom nos entendemos bem e tal, um desses dias na volta para casa ele disse que a mãe dele estava preocupada porque ele estava gastando demais, ai eu perguntei com o que ele estava gastando, pois ele mora com a mãe e não tem despesas em casa. Ele tem um salário de 3000 reais, nós não costumamos badalar, saímos bem pouco, daí ele começou a enumerar as prestações do carro, a mensalidade do cursinho, ai virou para mim rindo e disse motel, daí eu disse: ”Como é? A gente vai uma vez por mês no motel e olhe lá, você gasta uns 50 reais com isso por mês, sinto muito meu filho mas isso não entra nas suas contas não.”
Daí ele continuou falando outras despesas e não entrou no assunto. Eu até poderia rachar com ele o dinheiro mas acho um absurdo porque o meu salário gira em torno de 10% do dele, e quando a gente sai com meus amigos eu pago a conta já que eu o convidei. Se saímos para lanchar eu pago o meu, me recuso a pagar motel também. Além do que quando ele estava desempregado eu pagava. Ele não tem fantasias sexuais, não gosta de lingerie com cinta liga, nunca pede nada diferente mas aceita minhas propostas. Ele é individualista, não me ajuda, não tem iniciativa para ajudar a não ser que eu peça alguma ajuda e mesmo assim ele só faz se não atrapalhar o plano que ele fez para o dia. Um exemplo bobo, ele está de férias e mora perto da rodoviária, eu trabalho os dois horários, vou fazer uma viagem no feriado, aí ele disse para mim que eu tinha que ir logo comprar a passagem porque elas já estavam acabando. Eu disse para ele que estava sem tempo mas assim que eu pudesse eu iria na rodoviária. Ora, ele mora perto da rodoviária podia ir la rapidinho de carro mas não se ofereceu, todo dia quando me ligava perguntava se eu já tinha ido lá e eu dizia que estava numa correria muito grande, e que era contramão para mim pegar o ônibus para ir la só comprar a passagem. E ele dizia que a passagem ia acabar. Passou a semana toda e eu acordei cedo no sábado fui na rodoviária, comprei a passagem depois voltei pra casa. Penso muito em terminar o namoro com ele, mas só de pensar fico muito triste até choro. Nós nos divertimos juntos ele hoje em dia me apóia na minha profissão, apesar de insistir para que eu faça algum concurso para ter um emprego mais estável. Foi difícil mas hoje a família dele gosta de mim, já briguei muito para ficar com ele pois minha mãe não gostava dele, hoje ela também já gosta dele. Ele fala em casar que assim que passar num concurso melhor a gente vai casar tudo isso me prende a ele mas o principal é o que sinto por ele, não sei explicar porque nem como, mas o amor que sinto por ele é forte demais. Temos uma ligações assim tipo eu sei quando ele vai ligar, quando está chegando na minha casa, só de ficar do lado dele mesmo calada eu fico bem. É isso me ajude, o que faço? Adriana
RESPOSTA: Adriana, como você muito bem disse, não podemos mudar ninguém. Podemos sim escolher as pessoas que queremos ter ao nosso lado. A gente sabe também como é bom ter uma companhia, alguém que deita ao nosso lado e aquece o nosso corpo, alguém que nos liga diariamente. Alguém talvez que nos proteja e esteja ao nosso lado. Mas isso não é suficiente. Até porque não devemos buscar somente proteção em uma relação. Percebo em sua mensagem também que essa relação está te trazendo muita infelicidade. Seu namorado é uma pessoa que pensa nele, nele e nele. Será que você quer passar a vida inteira ao lado de uma pessoa assim? O caso da rodoviária realmente me impressionou. E a regularidade do sexo também. Não é natural que vocês tão jovens tenham essa freqüência sexual. Enfim, amiga, você é diferente do seu namorado. Isso fica bem claro. Possui visão de mundo e objetivos diferentes do dele. É generosa, tolerante mas com o tempo tolerância demais nos faz adoecer. É claro que a prender a conviver com as diferenças é um passo importante nas relações humanas. Mas quando as diferenças são tão grandes fica muito difícil realmente, para não dizer impossível. Um objetivo me parece claro em você: Você quer buscar a sua felicidade, quer investir na sua relação. Mas será que seu namorado está investindo também? As atitudes dele parecem não demonstrar tanto investimento em você. Acredito que diferenças fazem parte de qualquer relacionamento. Algumas são aceitáveis, outras nem tanto. O que eu acho que você precisa realmente analisar é se está mesmo valendo a pena. O que você está ganhando com essa relação, ou seja, qual o retorno que você está tendo desse investimento. Converse francamente com o seu namorado. Diga tudo que sente e as atitudes que você espera encontrar em um parceiro. Pode ser que ele não saiba disso, ou até que ele não perceba as atitudes que têm. O importante é : continue buscando a sua felicidade. Com ou sem o seu namorado. E se puder faça uma terapia, vai te ajudar demais querida. Escreva novamente se precisar. Carinho Bety



Escrito por Bety em 17/03/2008

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  19/03/2008

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
PERGUNTA: Olá, Bety. Tenho 35 anos e estou há 1 ano e 2 meses com o meu atual marido. Ficamos 9 meses namorando e estamos há 5 meses casados. Só senti desejo, vontade de fazer sexo com ele, nas duas primeiras vezes que saímos antes do relacionamento "engrenar". A partir daí só fazia sexo (e faço) quando ele me procura, ou quando vejo que ele está esperando que eu o procure. Na maioria das vezes, não sinto quase nada. Em alguns momentos, consigo sentir tesão e até chegar ao orgasmo. Mas, não vou para a cama com tesão, querendo fazer sexo com ele. O que acontece é que no decorrer da transa, muito de vez em quando, consigo me soltar e sentir tesão a ponto de chegar ao orgasmo. Antes de conhecê-lo, eu não namorava sério há uns 10 anos. Vinha tendo relacionamentos longos, porém, sem compromisso. Não estava tendo sorte em encontrar alguém que eu gostasse, que correspondesse aos meus sentimentos e que quisesse um relacionamento sério. E acontecia também de alguém se interessar por mim de verdade, mas da minha parte não rolava tal interesse. Nesses relacionamentos incertos eu não tive problema de falta de desejo. A minha libido estava normalíssima. Não sei o que está acontecendo comigo. Eu o amo e não quero perdê-lo. Estou com medo de ele cansar de esperar as coisas melhorarem. De uma semana para cá, decidimos tentar esperar que eu tome a iniciativa de procurá-lo. Combinamos de ele não me procurar para evitar frustrações. Porém, ele já falou que não vai agüentar ficar sem fazer sexo por muito tempo. Vejo que ele já está nervoso com esta situação. Não sei o que fazer e temo perdê-lo. Mesmo com esse problema quero continuar com ele porque o amo. Porém, sei que nenhum casamento se sustenta sem sexo. No meu primeiro casamento passei por uma situação parecida. A diferença é que ficamos 5 anos levando uma vida sexual normal. No final dos 5 anos resolvemos nos casar e o sexo já estava estranho. Ficamos mais 2 anos e meio casados com um sexo ruim. Eu não sentia vontade de fazer sexo com ele. Ficava angustiada a maior parte das vezes. A impressão que tenho é que a história está se repetindo. A única diferença é que não pretendo destruir o meu casamento atual por causa da falta de desejo. Fiquei muito tempo sem um relacionamento sério, bacana e, agora que encontrei, não vou jogar tudo para o alto. Por outro lado, não posso ser egoísta a ponto de "impedir" que o meu marido tenha uma vida sexual saudável, normal. Preciso de uma luz! Um grande abraço para você. Cris.
RESPOSTA: Olá, Cris, o que percebo na sua história é uma certa dificuldade sua de conciliar desejo e afeto com relação ao seu marido. De fato, desejo e afeto são sentimentos diferentes. O desejo é carnal, é de pele, é a química como falam. O afeto é carinho, respeito e amor. Nem sempre temos todos esses sentimentos pelo mesmo homem. No seu caso, a questão está nos afetos ou desejos escolhidos por você. Acho que você precisa entender a relação que faz do casamento com o desejo. Será que você pode sentir desejo no casamento? Ou isso só é possível antes do relacionamento "engrenar", como você mesmo diz ou com relacionamentos incertos? O importante é se conhecer cada vez mais. Saber o que desperta desejo em você e o que não desperta. Conhecer o seu corpo e as emoções, todos os afetos e toques que estão inseridos nele. Tenha liberdade de dizer ao seu parceiro o que desperta desejo em você, compartilhe as suas fantasias com ele. Relaxe e sinta tudo o que puder. O desejo acaba acontecendo naturalmente. Tenho certeza que você pode conseguir. Você tem até um parceiro que você diz amar e que pode compartilhar isso tudo com você e te ajudar. É claro que recomendo que você tome iniciativas práticas como ver se sua dosagem hormonal. Fazer uma terapia também é recomendável para que você possa entender o passado e ver como ele interfere no seu presente. Quando fazemos terapia, amiga, é que percebemos quanto coisas que nunca imaginamos podem impedir a nossa felicidade. Se precisar da indicação de um profissional posso ajudar. Boa sorte e escreva sempre que sentir necessidade. Um beijo, Bety

Escrito por Bety em 19/03/2008

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  23/03/2008

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
PERGUNTA: Me desculpe incomodar mas eu precisava desabafar com alguém. Ontem eu e meu marido brigamos por um motivo muito bobo, uma compra que eu fiz, sem avisar ele. Mas na verdade isso não ia afetar o nosso orçamento porque sou eu mesma quem o faço. Mas brigamos, e ele começou a falar que eu menti para ele e começou a discutir e levantar o dedo. Estou me impondo agora também, como eu te disse ele é machista e acho que nunca vai perder esse jeito, então eu estou começando a mudar e não aceitar tudo. Ele disse que queria se separar porque não quer mentira na vida dele. E foi uma briga que me fez pensar em separação também. Mas eu não tenho muitos amigos e tenho medo de me sentir muito sozinha, e também penso nas consequências da separação, financeiramente e na minha família, minha mãe é das antigas. Não sei o q fazer, mas geralmente eu iria pedir desculpas para ele para que nós não terminássemos. Só que ontem eu não fiz nada, deixei ele decidir se quer ir embora eu não estou me importando mais. Ele nunca foi um cara que ligasse por estar com saudade. karla
RESPOSTA: Olá Karla, não sei a quanto tempo você e seu marido estão juntos e também não sei como você o acostumou. O fato é que você não quer mais ser a pessoa que era - principalmente aquela que aceitava tudo. Isso certamente também deve estar causando um estranhamento ao seu marido. Toda mudança, por melhor que seja, é dolorosa e traz consequências para nós e, conseqüentemente, para nossas relações. O tédio no casamento é, algumas vezes, mortal. A relação se deteriora quando a rotina se impõe. É claro que existe uma rotina benéfica que nos permite cumprir nossos deveres familiares, rotina que é construída a partir de uma estrutura sólida de vida. Mas existe outra, mortal, que deve ser evitada. É aquela que vai tornando marido e mulher praticamente estranhos um ao outro. Enfim amiga, não podemos é nos acomodar e viver uma vida sem prazer que nos transforma em robôs sem vida e sem energia, que nos rouba a alegria de amar e de viver. É preciso que você e seu marido conversem, que você diga a ele o que espera de uma relação. A vida é cheia de possibilidades e cabe a você e a mais ninguém, escolher o caminho que pretende seguir: se o da monotonia eterna ou o encantamento de viver. É preciso ter coragem para ser feliz. E sinto que você tem essa coragem. Quando estiver desanimada, pensando que dá muito trabalho mudar as coisas, feche os olhos e se imagine uma poeira cósmica circulando pelo universo. Quando fazemos esse exercício percebemos que a vida é muito breve, uma centelha, e a nossa grande obrigação é a felicidade e a plenitude. Conte comigo sempre que precisar. Carinho, Bety

Escrito por Bety em 23/03/2008

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