CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
PERGUNTA; Oi Betty, tenho 26 anos namoro há três um rapaz de 24 anos e gosto muito dele apesar de todas as nossas diferenças. Sou atriz e professora de teatro, quero ganhar dinheiro sim, mas isso não é uma prioridade na minha vida. Quero ser uma profissional reconhecida, amo o meu trabalho, quero dar o melhor de mim, o dinheiro e recompensa disso é assim que penso. Já ele é formado em Direito, almeja um grande cargo através de concurso para que possa ser muito rico e ter uma grande casa luxuosa carros caros, esse tipo de coisa. Ele é muito inteligente, estudioso e esforçado. Essas coisas já foram motivos para separação uma vez, mas como nos gostamos muito não conseguimos ficar separados. Quando aceitei voltar com ele resolvi que tinha que aceitá-lo do jeito que ele é, que não posso tentar mudá-lo, pois percebi que ninguém muda porque a gente quer. Eu tenho certeza do amor que ele sente por mim, mas ele é frio, nós moramos na mesma cidade, ele tem carro, mas só nos vemos final de semana para não atrapalhar os estudos dele. Antes era por causa da faculdade e do estágio, depois do cursinho preparatório para concurso e o trabalho. Há 15 dias ele entrou de feiras no trabalho achei que íamos nos ver mais já que agora ele só tem um horário por dia ocupado. Mas a impressão que tenho é que piorou, ele não sai muito com meus amigos, são raras as vezes que isso acontece, mas sempre que me chama eu saio com os amigos dele. Nos finais de semana normalmente ficamos vendo filme em minha casa. No início do namoro ele até tinha um interesse em sexo, mas depois isso foi diminuindo. Achei de inicio que era porque ele estava sempre sem dinheiro porque não trabalhava. Quando eu comecei a trabalhar não me opunha a pagar o motel, pois achava que era saudável para a relação termos esses momentos. Depois perdi o emprego e passamos um tempo com uma freqüência bem menor tipo um vez por mês, algumas vezes até mais. Ele começou a trabalhar e achei que tudo ia melhorar, no primeiro mês foi legal parecia que estava tudo bem, eu comecei a trabalhar também, só que aos poucos foi diminuindo e eu comecei a anotar na agenda todas as vezes que a gente faz amor para ver se eu estava certa com relação ao espaçamento ou era coisa da minha cabeça. Foi pior pois percebi que os tempos são maiores do que eu conto, quando vamos a um motel é muito bom nos entendemos bem e tal, um desses dias na volta para casa ele disse que a mãe dele estava preocupada porque ele estava gastando demais, ai eu perguntei com o que ele estava gastando, pois ele mora com a mãe e não tem despesas em casa. Ele tem um salário de 3000 reais, nós não costumamos badalar, saímos bem pouco, daí ele começou a enumerar as prestações do carro, a mensalidade do cursinho, ai virou para mim rindo e disse motel, daí eu disse: ”Como é? A gente vai uma vez por mês no motel e olhe lá, você gasta uns 50 reais com isso por mês, sinto muito meu filho mas isso não entra nas suas contas não.”
Daí ele continuou falando outras despesas e não entrou no assunto. Eu até poderia rachar com ele o dinheiro mas acho um absurdo porque o meu salário gira em torno de 10% do dele, e quando a gente sai com meus amigos eu pago a conta já que eu o convidei. Se saímos para lanchar eu pago o meu, me recuso a pagar motel também. Além do que quando ele estava desempregado eu pagava. Ele não tem fantasias sexuais, não gosta de lingerie com cinta liga, nunca pede nada diferente mas aceita minhas propostas. Ele é individualista, não me ajuda, não tem iniciativa para ajudar a não ser que eu peça alguma ajuda e mesmo assim ele só faz se não atrapalhar o plano que ele fez para o dia. Um exemplo bobo, ele está de férias e mora perto da rodoviária, eu trabalho os dois horários, vou fazer uma viagem no feriado, aí ele disse para mim que eu tinha que ir logo comprar a passagem porque elas já estavam acabando. Eu disse para ele que estava sem tempo mas assim que eu pudesse eu iria na rodoviária. Ora, ele mora perto da rodoviária podia ir la rapidinho de carro mas não se ofereceu, todo dia quando me ligava perguntava se eu já tinha ido lá e eu dizia que estava numa correria muito grande, e que era contramão para mim pegar o ônibus para ir la só comprar a passagem. E ele dizia que a passagem ia acabar. Passou a semana toda e eu acordei cedo no sábado fui na rodoviária, comprei a passagem depois voltei pra casa. Penso muito em terminar o namoro com ele, mas só de pensar fico muito triste até choro. Nós nos divertimos juntos ele hoje em dia me apóia na minha profissão, apesar de insistir para que eu faça algum concurso para ter um emprego mais estável. Foi difícil mas hoje a família dele gosta de mim, já briguei muito para ficar com ele pois minha mãe não gostava dele, hoje ela também já gosta dele. Ele fala em casar que assim que passar num concurso melhor a gente vai casar tudo isso me prende a ele mas o principal é o que sinto por ele, não sei explicar porque nem como, mas o amor que sinto por ele é forte demais. Temos uma ligações assim tipo eu sei quando ele vai ligar, quando está chegando na minha casa, só de ficar do lado dele mesmo calada eu fico bem. É isso me ajude, o que faço? Adriana
RESPOSTA: Adriana, como você muito bem disse, não podemos mudar ninguém. Podemos sim escolher as pessoas que queremos ter ao nosso lado. A gente sabe também como é bom ter uma companhia, alguém que deita ao nosso lado e aquece o nosso corpo, alguém que nos liga diariamente. Alguém talvez que nos proteja e esteja ao nosso lado. Mas isso não é suficiente. Até porque não devemos buscar somente proteção em uma relação. Percebo em sua mensagem também que essa relação está te trazendo muita infelicidade. Seu namorado é uma pessoa que pensa nele, nele e nele. Será que você quer passar a vida inteira ao lado de uma pessoa assim? O caso da rodoviária realmente me impressionou. E a regularidade do sexo também. Não é natural que vocês tão jovens tenham essa freqüência sexual. Enfim, amiga, você é diferente do seu namorado. Isso fica bem claro. Possui visão de mundo e objetivos diferentes do dele. É generosa, tolerante mas com o tempo tolerância demais nos faz adoecer. É claro que a prender a conviver com as diferenças é um passo importante nas relações humanas. Mas quando as diferenças são tão grandes fica muito difícil realmente, para não dizer impossível. Um objetivo me parece claro em você: Você quer buscar a sua felicidade, quer investir na sua relação. Mas será que seu namorado está investindo também? As atitudes dele parecem não demonstrar tanto investimento em você. Acredito que diferenças fazem parte de qualquer relacionamento. Algumas são aceitáveis, outras nem tanto. O que eu acho que você precisa realmente analisar é se está mesmo valendo a pena. O que você está ganhando com essa relação, ou seja, qual o retorno que você está tendo desse investimento. Converse francamente com o seu namorado. Diga tudo que sente e as atitudes que você espera encontrar em um parceiro. Pode ser que ele não saiba disso, ou até que ele não perceba as atitudes que têm. O importante é : continue buscando a sua felicidade. Com ou sem o seu namorado. E se puder faça uma terapia, vai te ajudar demais querida. Escreva novamente se precisar. Carinho Bety
