04/02/2008



FALE COMIGO
A partir de hoje, você pode falar comigo pelo celular 9382-2643 (das 14 às 18 horas) e participar do meu quadro CONSULTÓRIO SENTIMENTAL no Programa Tarde Legal, com David Rangel. É só ligar, falar com a Jane, e eu ligo de volta. Eu vou ajudar você a resolver seus problemas. Conte comigo. Bety Orsini

Escrito por Bety em 04/02/2008

» Comentários:


  05/02/2008

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

PERGUNTA: Bety,a minha situação é a seguinte: Casei-me com um ex-aluno da oitava série, sou 6 anos mais velha q ele e temos um filho de 6 anos. Ficamos casados 3 anos e já nos separamos judicialmente há três. De lá pa cá, mesmo sabendo q ele estava com outra, ainda sim fiquei com ele umas vezes.. Ano passado ele me procurou em fevereiro, depois só em dezembro veio novamente..E eu, como uma boba, fiquei com ele.. Nunca é bom pra mim pois não sinto prazer nenhum.. Quando falo com amigas sobre isso elas falam que eu não me valorizo, que eu não tenho amor próprio. O q devo fazer pra me libertar deste homem que nem me respeita? Sempre insisto em tê-lo novamente sabendo que serão os mesmos problemas. Fico pensando q não mereço ninguém mais, que não vou achar outra pessoa e sofro qdo o vejo com outra. Muitas vezes até já me humilhei bastante, fiz coisas que até Deus duvida. Por favor me ajude, preciso de seus conselhos. Aguardo ansiosa no meu e-mail. Bjo Mineira Confusa
RESPOSTA: Querida mineira confusa. O fato de você ter casado com um rapaz seis anos mais novo não tem problema nenhum. A verdadeira idade está no nosso íntimo, na nossa alegria de viver. Também não vejo nenhum problema no fato de você ter ficado com ele mesmo sabendo que seu ex estava com outro. Algumas relações vão morrendo assim, aos poucos, como se nos fosse sendo arrancado pedacinho por pedacinho do coração. Em nenhum momento você foi boba mas, sem dúvida nenhuma, foi frágil. E que bom que sejamos fracas, frágeis muitas vezes, pois só assim, enfrentando os acontecimentos, vamos crescendo e amadurendo. O que mais me chama a atenção no seu e-mail é o fato de você não ter nenhum prazer quando fica com o rapaz. A resposta para isso está numa frase que você mesma escreveu e que diz o seguinte: "Fico pensando que não vou achar outra pessoa e sofro quando o vejo com outra". Como você pensa que esse rapaz é a sua táboa de salvação, quando o vê com outra sente que está em perigo. Esse é um processo psicológico que você precisa vencer. E para vencê-lo tem que investir em si mesma, se cuidar, aprender uma atividade nova ou desenvolver uma que já esteja esquecida, ler, estudar, formar um grupo de amigos para sair, enfim, viver o presente com intensidade. Se mesmo assim estiver difícil procure uma terapia. Aqui mesmo no blog (em cima, do lado direito) você encontrará dicas de grupos. Mas também existem serviços psicológicos nas universidades e nos postos de saúde. Não se humilhe mais mineira porque, tenho absoluta certeza, você encontrará outro caminho e, quando isso acontecer, olhará para trás e não se reconhecerá. Tente e escreva novamente se for preciso. E lembre-se da frase que dia "Não quero ao meu lado alguém que não me faça companhia e ainda por cima me roube a solidão". Carinho, Bety

Escrito por Bety em 05/02/2008

» Comentários:


  06/02/2008

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
PREGUNTA: Querida Bety, estou um pouco preocupada pois matriculei-me em um curso mas minha mãe acha que eu devo ficar em casa para pagar as contas – ela jogou as atividades bancárias nas minhas costas. Tenho uma irmã que é hipertensa mas o próprio médico disse para ela andar de vez em quando mas ela relaxa e não anda . Tenho uma sobrinha pequena e minha mãe acha que só eu posso levá-la para a escola. A mãe de minha sobrinha trabalha como comerciária e quando está em casa só falta pedir para mim de joelhos para levar a menina para a escola, então eu disfarço. Parece que ganhei um KIT SOFREDOR só que resolvi dar de graça. Nem quero vender é dado. Você acha que estou fazendo a coisa certa? Pois quero dar um rumo a minha vida. A impressão que tenho é que estou à deriva e fazendo este curso (PRODUÇÃO CULTURAL) me sentirei mais segura. Aguardo sua resposta, sempre com lindas palavras, fique com Deus. Beijos.
RESPOSTA: Queria amiga, acho que está na hora de você devolver esse KIT SOFREDOR. E que bom ouvir isso. Antigamente, diziam que pessoas como você tinham ”complexo de atlas”, ou seja, pessoas que carregam o mundo nas costas. O que acontece é que, quando cuidamos o tempo todo das pessoas, não cuidamos da nossa vida. E aí a nossa vida passa a ter menos importância que a dos outros. A mãe da sua sobrinha é que deve arcar com as responsabilidades de ter uma filha, não você. É claro que, se você quiser, pode levar sua sobrinha ao colégio uma vez ou outra. Mas nunca assumir esta responsabilidade. Sua mãe também está fazendo a mesma coisa ou seja: incentivando você a não ter vida própria. Amiga, ainda bem que você se deu conta disso. Fico feliz que você tenha se matriculado no curso. Vá em frente e daqui a pouco você vai sentir como é bom ter o nosso próprio caminho, como é bom ser livre. Faça tudo com com firmeza, mas com muita calma pois como dizia Theodore Roosevelt, o mais importante dentre todos os ingredientes na fórmula do sucesso consiste em saber como manter boas relações com as pessoas. Te desejo boa sorte amiga. Carinho, Bety

Escrito por Bety em 06/02/2008

» Comentários:


  08/02/2008

CRÔNICA

ANTROPOLOGIA DO FEIJÃO

Como todas as pessoas que não são muito
chegadas aos festejos de Momo, decidi
desfrutar da santa paz do lar neste car-
naval fazendo coisas que, geralmente, a
correria do cotidiano não permite. Andar pela
cidade, bater papo com amigos nesses encanta-
dores cafés espalhados pelas ruas e reler um livro
inesquecível. Escolhi “O deserto dos tártaros”, e
que delícia reler Dino Buzatti enquanto a chuva
batia no vidro das janelas envolvendo toda a casa
em uma deliciosa sensação de aconchego. Mas
segunda-feira, estava marcado: feijoada no apar-
tamento de Cesar Coelho Gomes, preparada por sua
mulher, a antropóloga Laura Graziela. Ainda bem
que acabei vencendo a preguiça de sair de casa só
para ter o privilégio de saborear a feijoada da Laura,
que, há seis anos, vem ganhando fama na cidade e
não fica nada a dever aos quitutes da baiana Dadá.
Isso sem falar no prazer que é conviver com pessoas
naturalmente delicadas como os irmãos Coelho —
Cesar, Carlinhos e Alexandre, este um grande co-
lecionador de sapatos masculinos. Digamos que
Alexandre é uma versão masculina de Imelda Mar-
cos. Logo que estacionei o carro encontrei o casal
Roberto DaMatta e Celeste. Ela, cada vez mais
encantadora; Roberto, sempre exuberante, fazendo
comentários originais sobre todos os temas. Es-
tavam lá também Ismael e Estela Prestes (ela ele-
gantíssima numa pantalona com estampa de ins-
piração oriental), a designer Claudia Duarte e seu
marido francês André; Bebel Velasco e seu Flavio,
que, agora, se dividem entre New Jersey e Cam-
boinhas; a assistente de estilo Flavia Morris, da
Swains; meu amigo Thiago Monteiro e o sociólogo
José Arthur Rios, ex-consultor da ONU e primeira
pessoa a estudar seriamente o tema favelas no
Brasil. A ala jovem estava muito representada pela
historiadora Mercedes Fernandes, irmã da anfitriã;
pela estudante de comunicação Beatriz, a filha, e
seus amigos Felipe Braz e Paulo Gustavo, este autor
e ator do sucesso “Minha mãe é uma peça”. Na sala,
com estantes novas e lindíssimas feitas pelo mar-
ceneiro Wagner, o único que conheço que usa
sapato azul de cromo (desculpe Cesar, mas vou
copiar), rolavam caipirinhas de vários sabores,
caldinho de feijão fumegante, lingüiça cortada bem
fininha tirada de dentro da panela para abrir o
apetite dos convidados. Servindo todas essas igua-
rias, o superpoderoso garçom Falabella, figura co-
nhecidíssima nas reuniões da família Coelho Gomes.
Uniforme preto contrastando com os cabelos lou-
ros, sarado, com jeito de deus grego, ele arrancou
mais suspiros do que o bom-bocado devorado na
sobremesa. Não se preocupem leitores, os con-
vidados só devoraram mesmo o bom-bocado. Ape-
sar dos janelões do apartamento de Cesar se abri-
rem para o mar, o clima era de fazenda, com todo
mundo em volta da mesa conversando como se
fosse uma festa de família. Cheguei por volta de uma
da tarde e, quando me dei conta, já eram oito da
noite, porque na casa dos irmãos Coelho o tempo
passa rápido. É como dizem por aí: tudo que é bom
dura pouco. A reunião teve direito a degustação de
“puros” cubanos, presente de Carlinhos para os
convidados.
Aproveitei para apreciar a biblioteca de Cesar que
tem um carinho especial pelos volumes editados
por Franco Maria Ricci, que só edita sofisticados
livros de arte. Cesar contou que Ricci tornou-se
grande amigo de Jorge Luis Borges, por quem era
fascinado. E lembrou que os dois tinham uma paixão
em comum: o fascínio pela idéia do “labirinto”. O
fascínio é tanto que Ricci está construindo o maior
labirinto do mundo, uma homenagem a Borges e um
presente para sua cidade, Parma. O labirinto tem
três quilômetros de percurso em laje especial,
superfície total de 50 mil metros quadrados. A
novidade são os bambus. Algumas espécies ladeiam
o percurso em laje mas, em seu interior, haverá um
horto botânico com amostras de quase todas as
espécies de bambus existentes no mundo.
Imortalidade é isso, o resto é feijoada.

Escrito por Bety em 08/02/2008

» Comentários: