21/09/2007

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Prezada Bety Orsini: muito prazer me chamo Gilberto. Bety o motivo maior deste mail é um pedido de auxilio para vossa pessoa (desde que esteja ao seu alcance minha solicitação) por se tratar de uma pessoal ligada aos meios de comunicação). Gostaria de lhe pedir encarecidamente que me ajudasse a encontrar alguém ou ao menos me aproximasse de alguma mulher que queira um homem sincero, honesto e carinhoso para um relacionamento sério. Pode ser em qualquer sítio do Brasil não hesitarei em ir até ela para nos conhecermos desde que tenha a certeza de suas intenções, só quero uma chance de encontrar alguém que faça a vida valer a pena de verdade, pois estou cansado de ser só (tenho 27 anos e trabalho para viver e vivo para trabalhar, já passei por algumas desilusões amorosas, mas quero tentar ser feliz). Vivo em Salvador (Bahia) e por aqui tá difícil encontrar alguém, pois as pessoas como eu, que não curtem carnaval e as demais festas ociosas que por aqui existem, são naturalmente excluídas do meio social. Não que eu tenha algo contra estes eventos, porém, nestas circunstâncias, só ocorrem coisas passageiras para um único momento, se é que você me entende, e como já lhe disse não quero aventuras e sim algo verdadeiro, um relacionamento com perspectivas futuras... Quanto ao meu perfil: tenho 1,70m, 70kg, gosto de esportes aquáticos (natação), moreno, cabelos castanhos claros, adoro viajar, trabalho no segmento industrial automotivo (em razão do trabalho já morei inclusive na Europa, por isso para mim distância não é problema). Tomei a liberdade de lhe pedir ajuda por não saber a quem mais recorrer, e como sei que tem bastante prestígio nos veículos de comunicação, pensei que pudesse me ajudar. Conto com sua ajuda amiga, pois creio que em algum lugar do Brasil existe alguma mulher a procura de um homem como eu. só falta nos encontrarmos. Me ajuda a encontrar a minha cara metade e quem sabe através de você iniciarmos uma linda história de amor. Aguardo resposta. Com os meus melhores cumprimentos, Gilberto Filho.

RESPOSTA: Curioso Gilberto acabo de responder a mensagem de uma moça com o mesmo problema seu. A carta será postada no blog neste final de semana. Quem sabe você não manda uma mensagem para ela através do blog? Querido, existem tantos desencontros quando a gente fala de amor... mas não devemos nunca desistir de procurar por aquilo que queremos. Tenho certeza que um homem como você, disposto a apostar numa relação verdadeira e ter uma família, não vai ficar sozinho por muito tempo. Te envio uma linda poesia de Sophia de Mello Breyner para vc pensar no amor nesse final de semana: Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo/Mal de te amar neste lugar de imperfeição/Onde tudo nos quebra e emudece/Onde tudo nos mente e nos separa.
Escreva quando quiser, carinho, Bety

Escrito por Bety em 21/09/2007

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CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Olá Bety, tenho 20 anos e namoro sério com um rapaz há dois anos. Ele foi meu primeiro namorado.Sempre tive muito ciúme dele devido ele ter um filho.Nós sempre brigávamos por causa da falta de atenção dele em relação a mim e de como a mãe do filho dele atrapalha nosso relacionamento. Mas de uns meses pra cá ele melhorou muito.Tem sido atencioso e compreensivo. O problema é que me mudei há três meses e o filho da minha vizinha começou a me chamar muita atenção.Nós conversamos muito pouco, mas sempre que o vejo sinto algo diferente me pego às vezes pensando nele. Bety tenho vergonha disso pq mesmo sentindo algo por ele ainda amo muito meu namorado e vejo também que mudei meu comportamento. Estou sofrendo muito com tudo isso.Devo ser sincera com meu namorado e contar o que esta acontecendo?

RESPOSTA: Não há porque se sentir culpada amiga. Ninguém dá ordens ao coração. Nem ao seu, nem ao do seu namorado, nem ao do vizinho. Sentimos as coisas e ponto final. A vida é assim mesmo. Provavelmente você está fantasiando com o filho da vizinha, afinal, ele não tem problema nenhum (por enquanto) e fica fácil projetar nele uma história perfeita. Mas acho bonita e madura a sua intenção de conversar com seu namorado sobre o que está sentindo. Uma vida de verdade se constrói a partir da sinceridade e do diálogo. Vá em frente. Lidando com a verdade você certamente encontrará o melhor caminho para a sua vida. Carinho, Bety

Escrito por Bety em 21/09/2007

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CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Olá Bety, estou passando por uma situação muito complicada e confusa. Meu noivo (namoramos há três anos e 5 meses sendo esses cinco meses de noivado) pediu um "tempo" faz dois dias e eu estou muito triste, magoada e confusa sem saber o que pensar já que eu amo muito ele e não quero perdê-lo...Ele me disse que eu tenho colocado meus estudos e preocupações profissionais em primeiro plano e deixado ele em segundo plano, sem dar atenção ao que ele precisa, de atenção e carinho. Disse que precisa desse tempo para pensar, pôr as idéias no lugar e também, para que não tenhamos uma briga tão feia que acabe tudo de vez...Disse também que não quer me sacanear e nem sair por aí em busca de outras mulheres, que só quer ficar um pouco sozinho e respirar. Estou sofrendo muito, tenho chorado muito, nesses dois dias dormi só 5 horas e está sendo muito doloroso tudo isso...Você acha que ele ainda me ama ou é só uma forma de dizer que terminou sem me magoar? Por favor, preciso muito de ajuda! MUITO OBRIGADO! Maria Elisa

RESPOSTA:
Querida Maria Elisa, quando um homem nos pede um tempo, imediatamente pensamos que ele está querendo nos enganar. Pode ser que ele não queira enganar você, pode ser que ele queira apenas, como ele mesmo diz, colocar as idéias em dia. Mas é claro que a relação está num impasse. Alguma coisa não vai bem, é claro, ou ele não pediria esse tempo. Você realmente tem deixado o seu namorado em segundo plano e não tem dado atenção a ele? Se for assim, acho que chegou o momento de vocês sentarem e conversarem sinceramente sobre o motivo. Uma relação verdadeira só é construída a partir da verdade e muitas vezes, impasses como o que você está vivendo, servem para fortalecer a relação ente duas pessoas. Mas querida, pense também que você é uma pessoa honesta, estudiosa, que luta por uma vida melhor e que isso também deve ser valorizado pelo homem que está ao seu lado. E lembre-se: não existe uma única pessoa no mundo capaz de nos trazer felicidade. Existem muitas pessoas maravilhosas por aí e, se um dia seu relacionamento terminar, não será o fim do mundo. O fim do mundo é quando nós desistimos de nós mesmas. Converse com ele e me escreva novamente se precisar. Boa sorte, Bety


Escrito por Bety em 21/09/2007

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CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Olá, Bety.
Relutei muito em te escrever e pedir ajuda. Prefiro manter-me em segredo devido à vergonha que sinto da minha situação. Tenho 35 anos e ainda sou virgem. Não por opção minha, mas por imposição dos rapazes que sempre se aproximaram de mim e deixavam claro que só queriam ir aos finalmentes. Isso fez com que eu me fechasse, parece até que estou marcada. Você pode até duvidar, mas isso sempre aconteceu. Bety, eu não quero fazer nada por obrigação da sociedade nem de terceiros. Eu quero fazer de acordo com a minha vontade. Não permito que ninguém imponha o que eu devo fazer. As relações estão muito ruins. Os homens (pelo menos os que aparecem no meu caminho) taxam as mulheres de vadias, não perguntam nem o meu nome, não convidam para o cinema, teatro, nada. Só pensam em motel. Eu quero me relacionar com alguém que me olhe nos olhos, que pergunte o meu nome. Eu sei que há um paradoxo entre homem e mulher. Mulher quer relacionamento, sentimento e compromisso-Homem quer sexo, transa e nada mais. Não estou em busca do homem perfeito até mesmo porque eu estou muito longe de ser uma mulher perfeita. Quero apenas um que atenda às necessidades básicas como: amizade, companheirismo, cumplicidade, respeito e acima de tudo AMOR.

RESPOSTA: Bom dia, amiga. Entendo perfeitamente o que você está falando e lamento que, até agora, homens com esse perfil tenham passado pela sua vida. Realmente houve uma banalização do sexo e ele deixou, há muito tempo, de ser conseqüência do amor. Muitas mulheres digeriram isso, outras não. Algumas, mesmo sabendo que o desejo sexual é uma necessidade como outra qualquer, não conseguem vivenciar o sexo como uma experiência momentânea por muito tempo. Como você, elas querem envolvimento. amizade, companheirismo, cumplicidade de respeito. Mas não podemos generalizar, existem homens que não são assim, que estão procurando exatamente uma pessoa que pense como você. Tenho poucos dados para comentar mais sobre o seu caso. Como foi seu primeiro namoro, por exemplo? Você não se sentiu amada? Nunca nenhum rapaz gostou de você ou os que gostaram não te agradaram? Assim eu poderia responder mais adequadamente sobre o fato de você ainda ser virgem até os 35 anos. Não que isso seja algum problema, nem pensar, mas sinto na sua mensagem que a falta de uma experiência sexual pelo menos já está te incomodando. Escreva contando mais e lembre-se de uma frase que diz o seguinte: Quando o aluno está pronto, o mestre aparece. Carinho, Bety.

Escrito por Bety em 21/09/2007

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CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Bety, moro em Niterói e gostaria que me indicasse um profissional. Tenho problemas
no meu casamento após ter sido traída, decidi perdoar mas está muito difícil não tocar nesse assunto sempre. Bjs sou sua ouvinte, já até nos falamos pela rádio.

RESPOSTA: Querida Dani, é bom saber que você quer fazer terapia. Todos sabemos que não basta decidir perdoar, o importante é perdoarmos internamente. A Universidade Federal Fluminense e a Faculdade Maria Tereza têm tratamento gratuito (ou a preços que o cliente pode pagar) mas existem outros profissionais na cidade. Te envio uma que acho pode te ajudar: Hedi Coelho (9476-9486). Boa sorte e escreva quando precisar. Um beijo, Bety

Escrito por Bety em 21/09/2007

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FRASE DO DIA:

Amar não é aceitar tudo. Aliás, onde tudo é aceito, desconfio que haja falta de amor.
(Vladimir Maiakovski
)

Escrito por Bety em 21/09/2007

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CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Bety Orsini: Chamo-me Lívia, tenho 24 anos de idade, e vivo com meus pais. Sou professora de Espanhol e em um chat acabei me apaixonando por um mexicano. No dia 09-04-2006 nos conhecemos e conversamos por e-mail até hoje. Eu o amo muito, ele também me ama. Mas não sei como falar que quero que ele venha, que quero estar com ele. Porém ele não tem iniciativa de nada, acho que vamos ficar assim para sempre (se dependesse dele). Eu gosto muito do mexicano, todavia penso: 1. Será que ele é realmente solteiro? Ele vive no México. (Eu no Rio de Janeiro, em Duque de Caxias). Será que esse amor por internet é só ilusão? Gostaria de receber a sua opinião sobre amor "virtual", eu tenho certeza que o amo muito. Amor é sentimento. Vivo em Duque de Caxias. Ah...tem mais um detalhe: estou tão ansiosa que estou obesa, isso não é bom para minha saúde, tenho consciência disso, mas como muito. Eu quero ajuda, preciso muito. Com amor, de sua ouvinte Lívia (não perco você no programa do queridíssimo David Rangel. Bety te adoro).

RESPOSTA: Obrigada pelas palavras de carinho, amiga. Eu te diria que atualmente muitas pessoas se conhecem pela internet e, com o passar do tempo, acabam namorando, casando ou até se decepcionando. Alguns psicanalistas acham que esses encontros estão desorganizando mentalmente o ser humano, mas não penso assim. Acho que a internet é um point de encontro que se dá através da intimidade do lar e da telinha do computador. A vantagem é poder se manifestar de maneira livre e a desvantagem é o risco de nunca alcançarmos o mundo real. Isso porque quando nos envolvemos com alguém pela internet, praticamente transitamos pelo mundo da fantasia. As pessoas que estão namorando virtualmente têm esse sentimento de liberdade porque, a qualquer momento, elas podem prosseguir ou desistir do contato virtual iniciado, bastando apertar a tecla delete. Além do mais, no início do relacionamento, nos sentimos resguardados de frustrações: se não nos achamos atraentes, isso não importa porque estamos do outro lado da tela bem protegidos. Mas continuar assim indefinidamente, como acontece com o seu mexicano, é preocupante. Afinal, você só conhece esse rapaz através das palavras, não tem nenhuma garantia de que ele está falando a verdade. E você sabe que muitas pessoas usam a internet também para enganar e seduzir. E enquanto isso, nós vamos idealizando essa pessoa mais e mais. Pode ser o caso dele, pode não ser. Minha opinião sincera é que agora ou você evolui nessa relação, dimiuindo esse processo de idealizar ou outro, ou desiste dela para que a sua vida possa continuar de verdade. Mas gostaria de observar uma coisa, amiga: você diz que está obsessa porque está muito ansiosa. Mas será isso mesmo? Será que você não se sentindo atraente, estando acima do peso, não encontra nessa relação o espaço ideal para fugir de um encontro de verdade que pode frustrá-la? Pense nisso, querida, e se precisar de ajuda faça uma terapia. Se não estiver com condições financeiras atualmente procure uma universidade, geralmente elas têm serviços gratuitos ou a preços baixos para atender a população. Há também os grupos de auto ajuda que funcionam muito bem. E não esqueça de uma coisa: as pessoas só amam se admiram. E para que nos admirem primeiro precisamos nos admirar. Escreva mais se precisar. Com todo o meu carinho, Bety

Escrito por Bety em 21/09/2007

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  23/09/2007

FERNANDO SCARPA E SEU UNIVERSO DE SOMBRAS

por Bety Orsini

Outro dia, ao entrar na loja de uma amiga, deparei-me com um chapéu preto, envolto em rendas e cetins, que era um escândalo. Chapéu poderoso, comentei. É um psicanalista quem faz, respondeu ela. Peguei o telefone do dito cujo -- que, não contente em fazer cabeças, ainda esbanja talento para enfeitá-las. Marquei encontro com o psi-artista, Fernando Scarpa, sábado de manhã, num café da Moreira César. E eis que ele chega, pontualmente, montado em sua possante Harley Davidson, capacete, barba espessa, cara de homem com H. Confesso que estranhei. Imaginara o psi-artista um tipo feminino, frágil, voz macia. Ele riu diante da minha surpresa. E disse que, por conta do hobby de fazer chapéus, todo mundo pensa que ele tem alma feminina. E não é que tem mesmo?

Mas é só a alma, garante Fernando, 52 anos, casadíssimo, pai de Guilherme e Luísa, que assimilou a tal porção feminina no convívio de uma família só de mulheres. Quando nasceu, deixou boquiaberto o pai, que esperava, ansiosamente, um homem para dar continuidade ao sobrenome e fazer companhia às três irmãs.

"Fui muito amado, desejado, sou o quarto filho, a última esperança", diz Fernando, que se identificava tanto com o pai (que foi presidente do Loyd Brasileiro) que ambos saíam juntos para festas envergando ternos idênticos, de casimira inglesa. "Papai mandava fazer um terno para ele e outro para mim." Identidade total.

Aliás, Fernando aproveita para informar que a família não termina com Chiquinho Scarpa, como o playboy declarou há algum tempo, em alto e bom som. Scarpa não é propriedade dele, em absoluto, é uma família enorme na Itália, garante este niteroiense cujo clã vem de Treviso, norte daquele país.

A fascinação por chapéus começou no fim dos anos 50, quando o então menino passou a admirar a elegância da mãe e da avó, ambas vaidosíssimas, donas de coleções que esbanjavam rendas, frufrus e flores. "Lembro-me sempre de minha mãe, linda, usando chapéu. Acho que foi a partir daí que o chapéu se transformou para mim num contato muito bonito com a figura feminina. Eu amo as mulheres e trabalho para enfeitá-las."

A filosofia e a psicanálise, sobre as quais se debruçou atentamente, ajudaram Fernando a entender esse universo encantado, sempre em busca das sombras. Começou estudando as doutrinas existenciais, Heidegger, Sartre, Freud, foi apresentado às questões do self, às questões narcísicas, às relações objetais. Não, caro leitor, não se precipite, Fernando não acabou enlouquecendo. Muito pelo contrário. Enfim, descobriu, aliviado, a função que o outro tem na relação entre seres humanos. "Às vezes, a relação funciona como um casaco quentinho. No inverno, é uma delícia, mas, no verão, eu não quero nem te ver", brinca Fernando para alertar homens e mulheres contra as relações utilitaristas.

Capricorniano obstinado, atualmente com consultório na Rua Tavares de Macedo e no Jardim Botânico, ele começou vendendo chapéus na Feira de Ipanema para ajudar nas despesas da faculdade. Sua primeira criação foi batizada de chapéu-hambúrguer, por conta de uma discreta copa de palha e um rolinho, também de palha, com flores secas, contornando todo o chapéu. Uma francesa elegante que passava pela feira comprou, encantada com o hambúrguer. "Foi, então, que me dei conta de que aquele chapéu tinha algo que despertava o interesse das pessoas."

Na semana seguinte, as vendas dobraram, até que o modelo virou febre. Fernando deu uma parada quando foi morar nos Estados Unidos. E foi lá que, um belo dia, assistindo a um filme que exibia uma panorâmica da Praia de Ipanema, surpreendeu-se ao ver a areia coalhada de chapéus feitos por ele. Um deles era sucesso absoluto: o Wally, que levava um broche e uma peninha. No auge de sua gostosura, Norma Bengell comprou um. A mãe do roqueiro Herbert Vianna foi ao casamento do filho, em Londres, usando um modelito cor-de-rosa by Fernando, comprado numa butique de Ipanema.

A demanda foi tão grande que, ao voltar ao Brasil, Fernando abriu um ateliê em Santa Rosa. Fazia todos os casamentos da cidade. O ateliê durou dez anos. "Fabricar no país é muito complicado. Foi um inferno quando a China, a erva daninha do mundo, entrou no mercado com chapéus de palha. Mas, enquanto o ateliê funcionou, formei muita gente, muitos me copiaram", conta o psi-artista, que também assinou os chapéus da minissérie "A casa das sete mulheres".

Altamente criativo, Fernando não abre mão desse hobby incomum. "Minhas mãos são um inferno", brinca, enquanto mostra um chapéu maravilhoso feito de feltro, malha sombrit desfiada (aquele rolo de tela preta que se compra em loja de material de construção), voilete (véu) de ráfia francesa, flores de renda e lacinhos desfiados de lamê português. Para ele, o chapéu não deve se limitar ao perfil da pessoa. Tem que ir além, exercendo também a função de romper padrões.

"Afinal, eu tenho fascínio pelo que se passa na cabeça e criar chapéus é, de certa forma, participar desse processo", conclui o psi-artista.

Escrito por Bety em 23/09/2007

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