06/08/2007



FRASE DO DIA:

Aceito a ajuda, a moeda, o copo de água, aceito e agradeço. Hoje serei ajudado e estarei aberto para entender que não há quem não precise de ajuda alguma vez na vida.
(autor desconhecido)

Escrito por Bety em 06/08/2007

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PERTINHO DO PARAÍSO

Por Bety Orsini

De uma forma ou de outra, nossa vida se resume à busca do paraíso. O paraíso profissional, emocional, amoroso... De uns tempos para cá, ando a procura de um paraíso de verdade, daqueles que, em princípio, não desaparecem diante de nosso olhar perplexo. E eis que, um dia, uma amiga me convida para conhecer um lugar em que só os iniciados pisaram. Desconfiada, demorei a aceitar o convite, admito, pensando tratar-se daquele tipo de programa sangue-suor-e-cerveja. É preciso pegar uma estrada de terra que fica a quase cem metros da Praia de Itaipu. À esquerda, vemos a Igreja de São Sebastião e, na pracinha em frente, a capela do dito santo abençoando os que se aventuram por aquelas bandas. À direita, pegando a estrada de terra, chegamos ao restaurante Lagoas Bar. De repente, diante dos nossos olhos, está lá, como que por milagre, o refúgio tão desejado. É um trecho da Lagoa de Itaipu, areia pura, claríssima. Foi com emoção que vi as garças estáticas, como se fossem estátuas de sal. Lá estavam as grandes, de bico amarelo; as pequenas, de bico preto, já acostumadas com a importuna presença do homem. Todas elas, com as penas lindas ante a proximidade da época de acasalamento, olham fixamente para o puçá do pescador. Já perceberam que ele vai jogar a isca e aguardam alguma sobra de marisco. É uma festa. Quando o homem deixa no chão restos de peixe, elas alçam vôo num bailado inesperado. Mais adiante, gaivotas e atobás observam. Seu Aloísio, garçom do Lagoas, pescador e sabichão local, fala dos sagüis e conta que andam aparecendo por ali pica-paus grandões de peito amarelo. Sentada na varanda do Lagoas, observo o mar como se fosse a primeira vez. E percebo que é preciso muito pouco para ser feliz. O reflexo do sol cobre a água transparente como se fossem milhares de diamantes. Ou seriam vaga-lumes? Ou estrelas que se perderam por ali? Tudo cintila.
Rodeando o local, morros em meias laranjas, não muito altos e de vegetação exuberante típica do litoral fluminense. Fixo o olhar no verde das montanhas, no azul do mar, no branco da areia e fecho os olhos tentando guardar para sempre dentro de mim aquela imagem. Visões parciais do Pão de Açúcar, do Cristo Redentor, do Maciço da Tijuca... À esquerda, vejo o mar aberto com sua força invadindo a lagoa e renovando a água mais uma vez. É o ritmo da natureza impondo o seu movimento. Mulheres e homens refestelam-se nas cadeirinhas de plástico, mesa fincada na areia, enquanto a água salgada vai chegando e cobrindo seus corpos até a altura do joelho. O barqueiro Índio faz passeios na lagoa por R$1. Mas quem quiser se perder naquelas águas claras paga R$5. Índio, que tem 46 anos, deixou Piau, no Rio Grande do Norte, para tentar a sorte na cidade grande. Cabelos iguais aos de Bob Marley, ele conta que no verão a região é visitada por um pássaro cor-de-rosa de pernas compridas. O barqueiro ganhou fama por ter uma garça fiel que o acompanha em todas as viagens na proa da canoa. Ele reconhece a companheira por uma marquinha que ela tem no bico. Corre a lenda que a garça era uma princesa que perdeu o seu amor no mar e que, em noite de lua cheia, quando a luz cobre toda a lagoa, ela vira princesa novamente e faz amor com Índio. Ele sorri. Não diz sim nem não. Seu olhar fica distante como se guardasse algum segredo.


(publicado em: O Globo – Jornais de bairro: Niterói – 12/08/2006)


Escrito por Bety em 06/08/2007

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CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Bety, obrigada pelas suas palavras carinhosas e encorajadoras, vc falou exatamente o que acontece em minha vida, eu vivo no passado e dele ñ consigo sair. Imagina vc que até hoje eu sou ligada a mãe dele, a familia dele inteira tios ,sobrinhos etc.., todas os aniversários sou chamada e eles fazem questão da minha presença. Gostam de mim demais, e ele abendo disso ñ leva nenhuma namorada e tb porquê minha filha ñ quer conhecer nenhuma delas pois sabe q são várias, cada hora uma diferente... eu sempre saio c/ a mãe dele e minha filha. Já viajamos juntas, vamos a restaurantes pois ela e minha filha adoram comer coisas gostosa, eu é q controlo um pouco pois ñ quero engordar, e assim Bety eu estou sempre c/ eles ..muitas das vezes vou c/ elas no carro dele nas festas de família, e, dependendo do lugar ou horário, ñ dá p/ voltar de ônibus e tb todos acham normal eu voltar junto c ele...Amanhã mesmo têm aniversário de 2 primas dele (gêmeas) em Piratininga e elas fazem questão da minha presença pois, quando bebo, eu danço pra caramba, fico alegre e consigo fazer todo mundo rir pois fico engraçada demais...danço tudo q toca mesmo sem saber dançar nada. E nesse aniversário vai ter um grupo de forró. Aí juntos c/ 2 tios dele q adoram dançar eu acabo fazendo a festa. Um dia desse na Charitas (eu moro em icaraí) eu dancei até pagode c/ aquele q eu te contei q de tanto eu conversar e ficar dando só beijo acabou arrumando outra. Então Bety é difícil prá mim me libertar disso tudo, pois todos dizem q a mãe dele me considera uma filha e eu sei disso. Nos momentos difíceis ela esteve do meu lado, me ajudando, rezando e sem ela talvez eu hj estive doente. Ela e ele até ficaram sem se falar por muito tempo por minha causa...Hj todos vivem bem, ela diz q o dia mais feliz da vida dela será quando eu arranjar alguém q me ama de verdade. Bety eu quero tentar e realmente deve ser uma tremenda insegurança da minha parte porquê eu ñ tomo depressivos. Aliás Bety eu saio, ñ tenho uma vida social mas dou uns passeios de vez em quando, só q as vezes vêm a tristeza e eu me afasto um pouco das pessoas e prefiro ficar em casa arrumando a casa ou vendo filmes na televisão. O q eu quero tb falar c/ vc é algo q eu ñ consigo entender e como vc têm as palavras tão certas (parece q vc lê a alma das pessoas) eu quero saber porquê q eu sonho demais c/ um homem q eu quando solteira fiquei algumas vezes c/ ele. Eu o encontro sempre em meu trabalho pois ele faz a parte de consultoria jurídica da empresa. Na época ele era solteiro e eu tb. Ficamos algumas vezes sem compromisso, depois casei e ele tb (ainda é casado). Só q c/ a convivência, mesmo eu casada, ele sempre me cantou, mas eu como era uma esposa fiel nunca aceitei as cantadas e muito menos as mordomias q ele poderia me dar. Afinal ele é um homem rico e assim passou o tempo e quando eu me separei ele me chamou p/ sair. Como ele era uma pessoa conhecida, um ex-ficante eu acabei saíndo. Foi uma forma q achei talvez p/ suprir minha carência, minha tristeza, todos os sentimentos daquele momento. E Bety, confesso ñ sentir nada, o q eu queria era um ombro amigo, conversar e ele queria sexo, tudo bem. Ele sempre teve muita atração por mim e dizia q na cama eu era maravilhosa, só q ele percebeu e perguntou cadê aquela Dalva q ele conheceu um dia, disse q eu estava diferente como se eu ñ estivesse ali e depois disso eu comecei a dar desculpas, inventei coisas p/ ñ sair mais. Só q mesmo ñ saindo eu tenho muita amizade por ele, mando e-mails de mens. amizade, ele manda prá mim e quando vêm aqui no meu trabalho de 15 em 15 dias conversamos muito, e quando estou bem brincamos um c/ o outro. Quando estou triste ele fala q ñ gosta de me ver assim, diz q se preocupa comigo, diz q já q eu ñ quero sair c/ ele , q eu deveria arrumar um namorado. Aí eu digo q quero ele solteiro p/ andar de mãos dadas c/ ele, que ir direto p/ o motel eu não gosto pois ñ sinto vontade de transar e ele diz que podemos apenas conversar lá dentro e só acontecer alguma coisa se eu quiser. Até pode ser, isso acontece, mas o q eu ñ quero é isso: ter q ir p/ um motel escondido. Há pouco tempo ele quase se separou, ñ está vivendo bem c/ a esposa, eu escutei ele falando p/ meu patrão q ñ separa por causa dos bens...Mas o q eu ñ entendo Bety é q eu gosto demais dele, penso nele todos os dias e sonho quase todos os dias c/ ele. As vezes lembro do sonho, muitas das vezes ele me fala algumas coisas no sonho, só q quando acordo ñ lembro. As vezes ele está no sonho me ensinando alguma coisa, as vezes namorando, as vezes só conversando como amigos. Quando chego aqui no trabalho olho logo na internet p/ saber se têm e-mails dele. Quando ele ficou doente e quase morreu eu estava de férias viajando e quando soube fiquei apavorada. Alguns dias depois ele esteve aqui, aí eu e ele nos demos um abraço tão forte, c/ tanto carinho q eu falei pra ele q se ele morresse e eu ñ soubesse eu ñ me perdoaria jamais. Noto q depois desse acontecimento nós estamos muito ligados um ao outro, só q ele apesar de ter muito carinho comigo ele têm atração sexual, coisa que eu ñ tenho por ele. Não acho ele bom na cama mas sinto tanto carinho por ele q queria ele na minha vida, mesmo sem
sentir atração. É um homem bonito, alegre, mas tb ñ ficaria c/ ele só p/ir ao motel, quero viajar sentir o sol na estrada, ver o verde da natureza, quero viver momentos mas c/ liberdade de estar em qualquer lugar sem medo de ser vista acompanhada de um homem casado. Bety desculpa por essa carta enorme, esse desabafo, mas preciso contar prá alguém minhas coisas e apesar de ter algumas amigas eu muitas vezes ñ sinto vontade de falar c/ elas. E vc é realmente uma pessoa especial por tudo q eu já ouvi vc falar no rádio. Vc é um ser iluminado e espero q aceite q eu converse c/ vc quando eu precisar novamente... Um grande beijo e fique sempre c/ DEUS.

RESPOSTA: Querida Alba, sinto você bastante confusa com relação a sua vida sentimental. Entendo perfeitamente esses sentimentos dúbios dos quais você fala mas tenho certeza que chegou a hora de você seguir o seu caminho. Não que você precise romper com a família do seu marido para isso. De maneira nenhuma. Amizade verdadeira é o bem mais precioso que temos nesta vida. Mas romper internamente. E como a gete rompe internamente esses laços que nos amarram e nos impedem de caminhar? Com terapia. Se você condições financeiras de pagar um tratamento particular, comece agora. Se não tiver, na UFF e na Faculdade Maria Thereza existe atendimento gratuito. E tem ainda os grupos de auto-ajuda. Com relação ao segundo rapaz me parece que o que você sente por ele é amizade. E olha que amizade linda! Você não precisa ir para a cama sem desejo, amiga, ninguém precisa. Me parece que ele é um porto seguro para você, aquela pessoa que vc pode contar. Um amigo assim, Alba, é um presente do céu. Sabe, nós não precisamos necessariamente ter um parceiro para sermos plenas. Precisamos sim, olhar para nós e gostar do que estamos vendo. Um bom exercício para você sair dessa situação é investir em você: quem sabe estudar alguma coisa que sempre quis? Fazer um curso de literatura? Os livros nos ajudam tanto a crescer... Enfim Alba, existe tanta coisa nesse mundo capaz de nos libertar dessa nossa tendência de achar que a nossa felicidade e a nossa plenitude estão em achar um parceiro. Com essa busca desenfreada nós esquecemos do mais importante: achar a nós mesmas, chegar a nossa essência, ao nosso sentir. É isso amiga, que nos torna plenas e satisfeitas. Carinho, Bety

Escrito por Bety em 06/08/2007

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CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Olá querida Bety, como vai? Quem lhe escreve e o Paulo do Rio de Janeiro. Sou casado há dez anos, tenho 32 anos e tenho filhos. O que há um tempo vem me ocorrendo é uma sensação diferente em querer manter relações com pessoas do mesmo sexo. Tenho uma vida normal com minha mulher mas parece que ainda falta algo e sinto que esse algo ela não poderia me dar. Para vc ter idéia, até programa com travesti eu cheguei a marcar, pois queria saber como seria uma relação com uma pessoa que poderia me atender com mais de uma maneira e principalmente a maneira que me interessava, mas não sei porque o encontro não deu certo, mas atualmente continuo tentando encontrar alguém que me faça sentir uma pessoa realizada. Tenho medo que ao acontecer eu não queira parar mais. O que devo fazer? Como vc classificaria esse meu problema? Te aguardo.
Paulo.

RESPOSTA: Querido Paulo, primeiro gostaria de lembrar que esses questionamentos sexuais são muito mais comuns do que você talvez imagine. O ser humano é plural, cheio de desejos e, por isso mesmo, são inúmeros os caminhos que nos levam a satisfação. Eu diria que você não tem um problema, tem um sintoma, que aponta para a seguinte realidade: alguma coisa não vai bem na sua vida afetiva e sexual. Essa sensação diferente, que brota do desejo, mostra sua vontade de experimentar um outro tipo de relacionamento sexual. Curioso é que, sendo um travesti, de certa forma você estaria se relacionando, ao mesmo tempo, com a figura masculina e feminina. Mas é preciso chamar a atenção para o seguinte: você não vai se realizar encontrando uma pessoa desse ou daquele jeito. Você vai se realizar encontrando a sua verdade, a sua sexualidade. Ou seja: essa busca está dentro e não fora de você. Muitos homens saem com travestis porque desejam uma relação mais plena, completa, que permite que ele seja ativo e passivo ao mesmo tempo. Sair com um travesti é lidar com a dualidade homem/mulher e esse é o maior poder de sedução que esse tipo de relacionamento oferece. Mas alguns homens, que no íntimo desejam se relacionar com homens, muitas vezes elegem o travesti como objeto do desejo para driblar uma dificuldade de admitir a própria homossexualidade. Ou seja, saindo com um travesti ele não se enxerga como um homem que deseja homens, mas com um homem que sai com mulheres que têm um detalhe a mais. Enfim Paulo, tudo tem que ser analisado para que você, merecidamente, encontre a sua sexualidade verdadeira. E o primeiro passo é uma terapia para que possa se entender e caminhar com firmeza no caminho que escolher. Sem máscaras ou enganações. E não pense que isso é uma coisa anormal porque não existe erro com relação a sexo e sentimento. Imoral é caminhar sobre a pista errada. Espero que tenha te ajudado. Se precisar escreva novamente. Carinho, Bety

Escrito por Bety em 06/08/2007

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CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Oi Bety, tudo bem? Conheci um rapaz num grupo religioso de dança e comecei a me interessar por ele, mas nunca demonstrei. O tempo foi passando e eu comecei a puxar assunto até que um dia estavam todos se abraçando e resolvi abraçá-lo também. Aí tudo começou. Em todos os encontros do grupo a gente se abraçava e ele me dava um abraço bem apertado, mas ele tb abraçava as outras meninas da mesma maneira. Só que um dia teve apresentação e antes ele sentou atrás de mim e senti uma respiração perto do meu pescoço. Ele começou a fazer isso sempre: sentava e debruçava no banco atras de mim. E sempre no final havia uma despedida com um abraço gostoso até que uma vez não teve apresentação e fomos assistir um filme na casa do líder. Eu coloquei a mão atrás da cabeca, então ele pegou na minha mão e a gente ficou um tempão assim. Mas segundo eu tinha ouvido falar, ele não queria namorar ninguém. Quando o ônibus vinha buscar a gente na igreja, ele sentava do meu lado e deitava no meu colo. Certa vez estava frio, estávamos esperando o ônibus e ele se encostou em mim. Fiquei de pé deitada no ombro dele e ele tentando me esquentar com o casaco. Por causa disso tudo, comecei a gostar mais dele. Certa vez eu estava distraida na igreja olhando o resto do grupo se apresentar e senti a respiração dele atrás do meu pescoço. Achei estranho. Um dia ele fez massagem no meu ombro, parou de repente e depois se afastou, mas sempre me dava aquele abraço. Me afastei por um ano. Sábado, a mãe dele estava na igreja e conversei com ela e então me bateu a maior saudade dele. Fui para casa meio atordoada e no domingo teve outra apresentação na igreja perto de minha casa e a família dele estava lá, menos ele. Quando saí ele estava lá fora com um pessoal do grupo. Foi impressionante: quando nos vimos um foi para o lado do outro, ele pulou em mim e e me abraçou tanto, e me apertou tanto que me tirou o fôlego. Chegou a me erguer um tempão e não me largava. Quando terminou de me abraçar ele agiu estranho: quando perguntei como vai a vida ele nem me olhou e saiu de perto de mim como se tivesse fugindo. Dei tchau, achei estranha tal atitude, o pior é que descobri que gosto dele e agora mais forte do que antes. Estou magoada. Pela sua experiência Bety, o que você acha que ele sente por mim? Porque ele faz isso? E também o que a atitude dele demonstra: São tantas dúvidas...Será que sigo em frente? Ele tem 21 anos e eu 20. Desde já lhe agradeço, Deus te abençoe, sou sua fã.

RESPOSTA: Querida, vejo que você está sofrendo. Mas desde o momento que comecei a lidar com corações humanos descobri que a verdade, mesmo que ela nos faça sofrer, também nos liberta. Viver enganada é um martírio. No seu caso amiga, acho que você está vivendo uma fantasia. Ou esse rapaz é um sedutor profissional, ou tem algum problema psicológico ou está apenas se divertindo. Pessoas delicadas como você, que acreditam no outro sem questionar, são alvos fáceis. Acho que chegou a hora de você abandonar o romantismo e aceitar que esse envolvimento não vai te levar a lugar nenhum. Só vai te causar tristeza e frustração, como já vem acontecendo. Faça força, deixe de frequentar locais nos quais ele possa estar, dê tempo ao tempo. Tenho certeza que, brevemente, vai aparecer alguém que mereça um afeto tão sincero como o seu. É só esperar. Boa sorte!



Escrito por Bety em 06/08/2007

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CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Oi Bety, primeiramente irei me apresentar meu nome é Juliana. Estou aqui hoje para contar a minha vida sentimental e pedir ajuda. Irei desabafar um pouco. Tudo começou quando eu conheci o meu primeiro e único amor: eu tinha doze anos e, naquela época, ele tinha 20. Nós tínhamos uma amizade colorida pois ele queria um relacionamento comigo mas eu, apesar de amá-lo, não queria. O amor foi aumentando e não dava mais para agüentar ficar longe dele. Então eu ficava o dia todo no trabalho dele que era perto de minha casa. Nesta época eu já tinha feito treze anos, nós fomos nos conhecendo melhor e ficamos cada vez mais íntimos. Aquilo era maravilhoso para mim pois eu tinha uma vida só e sem graça e ele foi um estímulo e uma ideologia. Não aguentei a tentação e usei a emoção ao invés da razão e decidi ter um relacionamento com ele. Nos falávamos todos os dias por msn e pessoalmente. Foi a época mais feliz da minha vida. Me senti a pessoa mais feliz deste mundo e decidi ter um relacionamento ainda mais sério pois estava certa de que ele era o homem de minha vida, mas sabia que novamente estaria optando pelo lado sentimental, não pelo certo, pois ele tinha um filho de dois anos de uma ex-namorada. Mesmo assim decidi namorá-lo com todos sabendo e falei para a minha mãe. Ela não aceitou porque ele tinha um filho e foi conversar com João (esse era o nome dele) sobre isso. Nunca perdoei minha mãe por causa disso por que eu acho que se ela tem oportunidade de ser feliz eu também tinha. Independente de qualquer coisa eu estava lutando pela minha felicidade, pelo amor da minha vida, mas minha mãe não entendia isso. Depois que minha mãe conversou com João nós decidimos que não iríamos nos separar pois eu estava fazendo o que meu coração falava e continuamos o nosso relacionamento e tudo eram flores. Até que um dia ele reatou o seu relacionamento com a mãe de seu filho pois estava amadurecendo e viu que seria melhor para o filho pois a "namorada" dele não morava muito perto e separados ele teria mais distância do filho do que já tinha. A minha vida desabou naquele momento. Chorei demais, sofri demais, mas eu e João decidimos não romper nosso relacionamento e continuamos com ele. A namorada dele sabia de nós dois mas o relacionamento deles era tipo aberto e ela não poderia fazer nada contra nós. Tinha muito ciúmes dele, pois, ele ainda não tinha uma maturidade necessária e ia para baladas e essas coisas, mas não tinha nada sério com ninguém, só comigo e com a namorada. Todos sabiam de nós dois por que a noticia se espalhou muito rápido. Minha mãe também tinha consciência de que eu estava com ele mas não poderia fazer nada para mudar isso. Ele era tudo em minha vida, eu vivia para amá-lo. O que eu tinha de mais importante em minha vida era o amor dele. Faria tudo que fosse preciso para tê-lo perto de mim e sonhava em casar e ter filho com ele. Era um amor louco e com juízo ao mesmo tempo. Ele estava em meu coração, minha cabeça e em minha alma, um relacionamento de um ano e três meses firme e forte, nos amando e nos respeitando. Fiquei doente e fiquei uma semana sem falar com ele e resolvi fazer um vídeo para ele com uma música de despedida. Eu não entendia o porque mas eu amava aquela música. Fiquei uma semana ouvindo sem parar aquela música e fazendo aquele vídeo, ele adorou a idéia do vídeo e estava supercurioso para vê-lo. Até que uma noite um amigo dele me disse que o João tinha sofrido um acidente e tinha sido atropelado por um ônibus. Naquele momento foi o fim para mim. Me desesperei, só sabia chorar e corri para o hospital. Dei de cara com a namorada dele e decidimos não brigar. Encarei aquela situação na maior cara de pau e de peito aberto, pois, eu não estava ali pela namorada dele, nem pelas pessoas que eram contra nosso relacionamento. Eu estava ali por João. Minha mãe neste dia compareceu ao hospital e nós ficamos lá até meia-noite. Retornei no dia seguinte as 9 horas da manhã e a namorada dele não estava mais lá. Estavam apenas as primas e a mãe. Fiquei dando força a elas pois o resultado do exame só sairia às 8 da noite, um absurdo pois ele estava com traumatismo craniano e precisaria de um atendimento urgente. Fui para minha casa tomar um banho umas cinco e meia da tarde para voltar às oito da noite mas, ao invés de tomar banho, fiquei ligando para os hospitais para encontrar algum neurologista para ele ser atendido mais rapidamente, mas não encontrei. As seis horas da tarde estava com a minha vizinha, pois ela também iria ao hospital comigo, Eu senti uma fisgada no coração mas achei que fosse a minha asma. Retornei novamente ao hospital às sete horas. Deu nove e o resultado não tinha saido. Minha mãe queria ir para casa e nós fomos, eu reclamando por que queria ficar no hospital. Fiquei de birra e fui para o posto de gasolina onde João trabalhava e fiquei chorando no trabalho dele. Retornei para casa e minha mãe ligou para a namorada de João e ela disse que ele tinha falecido. Antes de minha mãe falar eu já estava chorando porque sentia algo em meu coração. Quando minha mãe me deu a notícia eu gritei um não superalto e me atirei no chão chorando. Eu estava muito assustada e com um buraco imenso no meu coração. Uma parte de mim tinha saido de meu corpo e eu não sentia mais a minha vida. Nós fomos correndo para o hospital e a mãe dele ainda não sabia eu me atirei no chão novamente e chorei muito. Ainda estava em estado de choque, e minha mãe resolveu me levar para casa para tomar alguma coisa para me acalmar pois não adiantaria ficar ali. Eu fui, mas antes disso passei no posto e me desesperei. Fui para casa. tomei um remédio e consegui dormir. No dia seguinte eu ainda estava em estado de choque e acordei com lágrimas escorrendo de meu rosto. Eu estava parada na cama só com as lágrimas escorrendo sem me movimentar e cada vez que alguém falava comigo eu chorava mais, mais. Minha mãe me deu um chá e nós fomos ao enterro de João. Foi horrivel, vi ali dentro daquele caixão a minha vida sendo enterrada com todos os meus sonhos dentro daquele caixão, ali com João deixei o meu coração e a minha alma. Depois disso tentei me matar, cheguei até a culpar Deus por isso, hoje eu tenho 14 anos e faz três meses e dez dias que Deus levou o meu João e o meu coração. Já procurei diversos centros espiritas mas nenhum me ajudou. Tenho sonhos estranhos e estou em uma profunda depressão. Choro o dia todo e não me conformo com o acontecido. Ainda sinto ele em mim e o amor não abaixou nem diminuiu, ainda o amo como tudo em minha vida, com toda a minha alma. E ajudo a familia dele no que eles precisam. A namorada dele já saia na segunda semana do acontecido, isso era uma das coisas que mais me aborrecia pois eu queria fazê-lo o homem mais feliz do mundo, coisa que ela não o fez. Hoje sinto uma profunda saudade e não me conformo, quero ele de qualquer jeito, penso muitas vezes em me matar pois, sem ele, nada tem graça. Ele era tudo para mim. Bety quero sua ajuda para não fazer uma besteira e quero sua ajuda para que meu coração não sofra tanto como ele está sofrendo. Aquele video que fiz para ele está na internet, foi um aviso de Deus me preparando para o que iria acontecer e aquela pontada que senti foi o nosso amor se cortando com muita dor. Até em jogos de cartas eu já fui e ela me disse que realmente foi cortado com muita dor pois ele não quer me deixar, que ele me ama muito, é louco por mim e disse que eu iria cuidar do filho dele se eu tivesse cabeça, e que ele estará sempre comigo, estará sempre olhando por mim e pela mãe dele, e que está triste por nós. Bety eu quero ajudá-lo e não sei o que fazer. Tenho apenas quatorze anos e experiências que mulheres de quarenta anos nunca tiveram. Estou sofrendo muito. A história que te contei está bastante resumida. Espero o seu retorno! beijoos! Fique com Deus!

RESPOSTA: Querida Juliana, já ouvi falar muito de você por sua mãe. Quanto orgulho ela tem dos filhos! Sua mãe é uma batalhadora, uma mulher que se acha privilegiada por ter você e seu irmão ao lado dela. Quantas vezes já a vi emocionada contando todas as coisas que você, ainda tão menina, estava passando por causa da morte do seu amor. Por isso já tenho toda simpatia do mundo por você através dos olhos amorosos de sua mãe e fico muito feliz que tenha me procurado espontaneamente. Sabe Juliana, você ainda é muito jovem e, com o passar do tempo, vai aprender que a vida é cheia de surpresas. Algumas boas, outras más, e que não temos explicação para nenhuma delas. A vida de cada um de nós tem um movimento e não sabemos pelo que vamos passar. Tenho certeza, querida, que o seu amor foi grande, imenso, como todo primeiro amor que passa pela nossa vida. Um amor que deixa marcas porque é tão intenso que parece que vamos sufocar se ele nos falta. Aquele amor que faz o coração bater, nos diz que não há nenhum sentido em viver sem ele, que nos rouba a vida se, de alguma forma, ele parte. Existem dois tipos de partida desse grande amor: um é quando o ser amado vai embora e nos falta o chão. Nós amamos desesperadamente, mas aquela pessoa preferiu seguir outros caminhos, ter novas experiências. É mais fácil deixar partir esse amor porque, com o tempo, chegamos a conclusão que não adianta continuar tentando. Então temos raiva, outra vez amor, raiva, outra vez amor, até que surge outra pessoa na nossa vida e, novamente, vemos sentido em estarmos vivas porque percebemos, graças a Deus, que não perdemos a nossa capacidade de amar. Quando uma pessoa morre, e morre tragicamente como seu namorado, fica mais difícil. Por que? Porque nosso amor parte deixando um sentimento quase perfeito. Parte quando nos sentimos profundamente amadas, quando tudo ainda é sonho e as dificuldades do cotidiano ainda não surgiram. Enfim, quando tudo ainda é perfeito. Então, quando essa pessoa morre, não nos conformamos. Afinal, estamos perdendo a perfeição, o sonho, e entrando novamente na dura realidade. E o que nós fazemos muitas vezes? Procuramos os centros, as cartomantes, a família do rapaz, tudo isso para que essa história não saia da nossa vida, mesmo que seja através de previsões e convivência com a família. De alguma forma estamos preenchidas pela continuação da dor. Aquele buraco do qual você fala seria muito maior se não tivéssemos pelo menos a dor para nos consolar. Juliana, você está sofrendo muito mais ainda porque não quer deixar esta história partir de sua vida que, antes dele, você me disse, era uma vida "só e sem graça". Manter esse sonho, essa dor faz, de certa forma, que o João continue ao seu lado. Mas minha querida, precisamos deixar o João partir em paz. E se ele amava você dessa maneira, em qualquer lugar que ele esteja estará sofrendo vendo a sua dor. Em qualquer lugar que ele esteja, ele estará torcendo para que você melhore e retome a sua vida. TODOS OS QUE NOS AMAM QUEREM A NOSSA FELICIDADE E A NOSSA LIBERTAÇÃO. E o primeiro passo para a sua libertação Juliana é ter consciência de que o João não está mais entre nós e que é preciso continuar o caminho e abrir o seu coração machucado para a vida. Quando o nosso coração está doendo muito, uma boa forma de melhorar é fazer algum tipo de trabalho social. Que tal reservar um dia da sua semana e frequentar algum orfanato, por exemplo, e alegrar crianças que não têm pai nem mãe? Muitas vezes, olhando o sofrimento dos outros, esquecemos o nosso. Você não quer fazer uma tentativa? E não pense em fazer nenhum besteira querida, porque você é linda, amorosa, generosa e o mundo está precisando de pessoas assim para o bem do planeta e o bem da humanidade. E nunca desista da coisa mais importante desta vida: o amor por você mesma. Pense nisso. Todo meu carinho, Bety


Escrito por Bety em 06/08/2007

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  02/08/2007

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Estou com 41 anos, solteira, sou interessante, bonita, adoro praticar esportes, mas não consegui namorar com mais ninguém (faz uns 10 anos). Parece que me fechei em relação ao homens. Fiz um balanço dos meus relacionamentos e percebi que nunca me apaixonei. Analisei tudo e percebi também que todos tinham os mesmas características que o meu pai e meu irmão. Isso me irritava profundamente. Aí outro dia a minha melhor amiga disse que era lésbica. Aí comecei a pensar será que sempre fui lésbica e nunca assumi! Sinto atração pelo homens, mas só isso. Não me aproximo, não tenho vontade, de conviver, etc. Quando penso que será o mesmo papo-furado, as mesmas mentiras, os blá blás de sempre, aí fico na minha. Não tento e também não quero. Minhas amigas dizem que não existe o homem perfeito, isso eu já sei. O que será que está acontecendo comigo? Será que desisti dos homens? Da minha turma eu sou a única que estou sempre sozinha, não fico falando de homens o tempo todo. É um saco!!! Elas me cobram o tempo todo! bjs

RESPOSTA: Bom dia, querida. Ao acordar e entrar no blog me deparei com a sua mensagem e ela me fez pensar muito. Imediatamente pensei sobre um livro que li recentemente chamado A idade secreta, da jornalista espanhola Eugenia Rico. Trata-se de um livro que fala sobre as reminiscências de uma mulher que tem um marido infiel e indiferente, uma vida cheia de vazios, um trabalho que não significa mais nada e uma idade que começa a deixar sulcos na pele. Essa mulher recebe um diagnóstico errado que altera radicalmente o seu destino. O diagnóstico está errado mas a sorte está lançada já que ela decide romper com tudo, esquecer o seu passado e, por conta disso, sair em busca de uma cidade imaginária chamada Nauchipán, um lugar onde existe uma chama que está sempre acesa. Acho que é esse lugar amiga, que nós todas procuramos. Um lugar perfeito para nós, só para nós. Mas sabemos que esse lugar não existe, que é preciso transitar nesse mundo cheio de imperfeições, de cobranças, de sucessos e de fracassos. E para enfrentar tudo isso só existe um caminho: sermos fiéis aos nossos próprios corações e aos nossos próprios desejos. É revelador quando você diz que os homens te irritam porque todos lembram seu pai e seu irmão. Isso significa que alguma coisa neles deixou marcas desagradáveis em você. Marcas internas, profundas que, digamos, deveriam ser tratadas com um peeling. Um peeling, você diria? Sim, porque nossas marcas sempre estarão registradas em nossa alma, com mais ou menos intensidade. Quando passamos por um processo de terapia, uma espécie de peeling da alma, elas vão ficando mais suaves, mais delicadas e nos fazem sofrer menos, mas sempre deixam a sua marca. Não sei se você é lésbica, essa é uma resposta que só você pode ter. Você já sentiu vontade de se aconchegar nos braços de uma mulher, ser cuidada por ela, acariciada? Sentiu um desejo forte e, ao olhar para alguma mulher pensou como seria bom estar guardada naquele espaço feminino? O importante não é amar homens ou mulheres, o importante é ter amor no coração, disponibilidade para olhar o outro, amar o outro como ele é independentemente do sexo. Conheço muitas mulheres que são felizes juntas. Mas também pode ser que você tenha medo dos homens até porque sabemos que as relações afetivas entre homens e mulheres estão cada vez mais difíceis. Como disse uma amiga minha outra dia: "Bety, será que rasgamos sutiãs em praça pública para esses relacionamentos horrorosos que estamos vivendo?" Nosso tempo é de entresafra amorosa, dúvidas, questionamentos, inseguranças mas é o NOSSO TEMPO e temos que conviver com ele da melhor maneira. Se um encontro verdadeiro pode estar nos braços de uma mulher, vamos a ele. Só não vale desistir dos afetos pelos perigos ou julgamentos que eles apontam. Porque desistir dos afetos é desistir da vida. Acho querida, que a vida vale a pena se, algumas vezes, podemos sentir essa sensação que Eugenia Rico nos descreve com tanta delicadeza: "Não creio em nem uma palavra sobre Nauchipán. Nem sequer me importa que ele creia ou não. Porque a única coisa que peço é tempo. Dias para estarmos juntos, horas para aproximar nossos joelhos na estrada. Minutos para embaçar o pára-brisa com nossas respirações. Porque há muito aprendi que a riqueza não se mede em euros e, sim, em segundos."
E não importa, amiga, que esse sentir venha do corpo de um homem ou de uma mulher.
E pra você uma frase linda de Pablo Picasso: "Eu não procuro, encontro."
Se você quiser posso lhe enviar um livro da Eugenia Rico, é só você mandar o seu nome e endereço. Boa sorte, Bety

Escrito por Bety em 02/08/2007

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FRASE DO DIA:

Nós todos vivemos sob o mesmo céu, mas não temos todos o mesmo horizonte.
(Konrad Adenauer, político alemão)

Escrito por Bety em 02/08/2007

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Beth , meu nome é Alba, tenho 50 anos mas pareço ter uns 44 pois me cuido, sou vaidosa e dizem q hoje estou + bonita q antes... me separei há uns 5 anos, meu marido me traiu c/
uma mulher q morava na mesma rua q eu. Bem essa foi a que eu soube. Depois de
separada soube de várias, inclusive mulheres chegadas a mim, tipo amigas, que ele dava cantadas, mulheres no meu trabalho (pois trabalhamos na mesma empresa até hoje). No início foi difícil a convivência quase morri. Ela ligava p/ cá todos os dias e eu quem atendo telefone aqui. Sempre via os dois aqui perto da empresa conversando e tudo isso me fez um mal terrível, a ponto de procurar psicólogo. Fiz academia, gastei o dinheiro q tinha e q ñ
tinha comprando roupas, fazendo escova no cabelo, tinha cachos e queria ficar diferente. Ah, isso sem contar que passei a frequentar barzinhos c/ as poucas amigas q consegui manter amizade enquanto era casada, pois ele ñ participava de nada comigo, sempre dava desculpas q tinha q trabalhar até tarde e realmente ele trabalhava, pois aqui ele trabalha em escala. Mas hoje vejo q ele se aproveitava disso p/ ficar até mais tarde e c/ isso ele dava
suas escapulidas pois à noite eu ñ estava aqui p/ saber se ele realmente estava trabalhando. O serviço dele é mais na rua tomando conta dos ônibus da empresa onde trabalhamos e assim ele ñ tinha tempo p/ sair comigo, só saiamos p/ festas de família sempre c/ a mãe dele e minha filha q hoje tem 20 anos. Na verdade Beth 5 anos se passaram alguns homens
apareceram e eu ñ fiquei c/ ninguém. Sempre encontro um defeito e só quando bebo consigo dar uns beijos. Mas quando penso em transar ou me apegar eu me afasto e fico sozinha. Não sei se penso q tudo pode acontecer novamente, ou se realmente eu ñ sinto + vontade de transar , mas sempre choro e peço à DEUS q eu consiga uma pessoa boa q me ame de verdade e q me ajude tb pois sem o marido hoje vivo apertada financeiramente e sempre
junta tudo: solidão, falta de dinheiro e sempre estou depressiva. Aí não saio de casa e noto q minha filha fica triste. Ela por sua vez tb sofreu com a separação, ia completar 15 anos e nem festa fizemos mas, graças à DEUS, eles se dão muito bem e hoje eu consigo conversar c/ ele cordialmente, coisa q antes era impossível. Ela conseguiu passar na faculdade federal e
hoje faz jornalismo na UFRJ. É uma menina de ouro, muito estudiosa, e ñ me dá trabalho algum, mas eu ñ consigo me sentir feliz. Falta uma pessoa e eu ñ consigo me interessar por ninguém ... apareceu um que dei uns beijinhos conforme te falei, custei tanto a me decidir q ele está c/ outra, depois apareceu um q me atraiu, mas descobri q ele gosta de se encostar e eu ñ tenho dinheiro nem prá mim. Enfim, preciso sentir a vontade e ñ sei se ñ sinto ou se tenho medo... Me ajuda.. bjos no coração.

RESPOSTA: Querida amiga, como eu entendo você. Como eu entendo esses momentos de solidão de que você tanto fala. Como você, também já senti essa solidão tantas vezes, mas o tempo me ensinou que só crescemos com a dor e a perda. O que mais me chama a atenção na sua carta é o seguinte: você hoje, no seu presente, vive cercada por uma história que está no passado. Ou seja, seu casamento acabou mas você, inconscientemente, consegue mantê-lo no presente e assim, impede que outras histórias e outras emoções tomem conta da sua vida. Acho amiga, que você tem que fazer as coisas com calma. Primeiro recomendo que entre para um grupo de auto-ajuda (aí no blog você poderá encontrar vários endereços) e comece a frequentar um com assiduidade. Nos encontros você encontrará pessoas com problemas parecidos com o seu e, ao perceber isso, não se sentirá mais tão só no mundo. A dor começará a diminuir e chegará um tempo que seu passado ficará no lugar que deve estar: no passado. Você me falou de transformações externas. Elas são válidas sim, aumentam nossa auto-estima, mas a grande trasformação acontece dentro de nós, amiga. É uma transformação que nos faz olhar para nós mesmas e sentir orgulho do que somos. Você me diz que espera encontrar uma pessoa que a ame de verdade mas, antes disso, você tem que se amar de verdade. E, ao se amar de verdade, vai poder olhar para seu ex-marido e pensar: puxa, que grande mulher ele perdeu. De uma certa forma, ao ficar em casa, deprimida, você cultiva a pena de si mesma fazendo com que os outros também sintam pena de você. Mas eu não tenho pena de você Alba porque você não é uma pessoa digna de pena. Você é batalhadora, soube criar uma filha com amor e dedicação, é uma mulher lúcida, lutadora e ainda por cima bonitona. Olhe para tudo isso e pense que a maioria das mulheres não têm um terço do que você possui. Acho que chegou a hora de você deixar seu ex-marido com a vida que ele escolheu e usar todas as suas forças para sair desta cama e olhar a vida com tudo o que ela acena de bom pra você. Se abra para um novo afeto quando ele chegar, se abra para o amor, para o sexo com afetividade, festeje o fato de ser mulher sem esperar nada em troca: nem casamento, nem compromisso. Festeje o encontro pelo encontro e vá seguindo seu caminho. Sempre cuidando muito bem de sua filha e de você. Quanto a vontade de fazer sexo, se você não estiver tomando nehum remédio anti-depressivo, o mais provável é que seja mesmo um bloqueio emocional que melhora com terapia. Esse bloqueio reflete o medo de ser ferida novamente, de ser enganada, de perder...Mas tudo isso, amiga, tudo isso é vida e não devemos evitar viver as emoções intensamente. Deixar de vivê-las com medo de perder é, de certa maneira, estar morta. E para você, uma frase linda do filósofo brasileiro Huberto Rohden: "Não faça sua felicidade depender do que não depende de você." Carinho, Bety

Escrito por Bety em 02/08/2007

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  01/08/2007

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Querida Bety, gostaria de falar da minha indignação, não com você, mas com esse tal de Paulo Lins que te escreveu dizendo que homossexualidade se resolve no exército. No exército resolve a vida dele, que deve ser um enrrustido. Onde já se viu Bety, falar uma bobagem dessa? Já vi muitos g*** que são militares e vivem muito bem. Outra coisa idiota que ele ficou falando a todo momento "seio familiar", "sentido da família" . Familia tenho eu que sempre me aceitou do meu jeito, sendo g** assumido. Quanto ao seio que ele tanto fala, sugiro que ele coloque um de silicone e quem sabe se resolva melhor e pare de ser preconceituoso. Bjs querida e desculpe se fui grosseiro. Do seu fã, Luiz Claudio

RESPOSTA: Amigo, entendo a sua indignação e também o seu desabafo. Mas não seria melhor para nós treinar a tolerância quando encontramos pessoas que não pensam da mesma maneira que nós? Lendo você, lembrei-me de uma história que gosto muito, a do sábio e do herói. Quando o herói encontra um inimigo qualquer, ele luta, luta com todas as suas forças até derrotar o inimigo. Com o sábio é diferente: quando ele vê o inimigo (ou um problema) ele passa longe e, assim, não gasta sua energia, que considera muito preciosa. Ultimamente aprendi a agir assim: a gastar a minha energia com as coisas que realmente importam. A gente fica mais leve e mais aliviado. Que tal tentar esse caminho? Afinal, o mundo é feito de pessoas completamente diferentes e querer que elas mudem de pensamento é desperdiçar nossa preciosa energia. Carinho, Bety

Escrito por Bety em 01/08/2007

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Olá!!! Gostaria que me ajudasse com uma palavra de conforto. Li sua matéria e achei muito interessante o modo que vc responde as clientes, como que ajuda todas a leitoras com o mesmo problema. Tem um homem que conheço há 8 anos, ficamos algumas vezes, mas nada demais, toda vez que nos encontramos ficamos, mas nunca marcamos de nos ver outra vez e nunca ligamos um para o outro. Nessas férias de julho encontrei com ele outra vez, e ficamos e, na quarta vez que ficamos, ele me chamou pra namorar. No começo achei estranho e muito precipitado mas aceitei. Transamos e no outro dia nos vimos outras vezes. Contei pra minha mãe, achava que realmente era sério. Ele me chamou pra ir pra casa dele. Fui e passamos um final de semana muito divertido. Na segunda fui embora e até na quarta seguinte ele não tinha me ligado. Aí conversamos por mensagem e ele disse que queria marcar pra me ver, mas parecia que a gente tava apenas ficando e não namorando. Tentei testá-lo e coloquei no orkut que tava namorando e uma foto dele. Em seguida, mandei uma mensagem para ele falando e ele me retornou me chanado de louca e pedindo para eu tirar a foto dele. Eu fiquei com tanta raiva e assustada que respondi que iria tirar a foto dele e o número do cel dele da agenda e nunca mais liguei e nem ele...Queria saber se ele apenas queria transar comigo e depois que conseguiu pulou fora, se ele me chamou pra namorar só para isso. O que eu faço? Devo procurá- lo para gente esclarecer tudo ou ficar na minha? Não sei o que fazer, gostaria muito que vc me ajudasse. Obrigada! Priscila Matos 24 anos .

RESPOSTA: Querida Priscila, meu conselho é o seguinte: fique no seu canto e não procure esse rapaz porque até o momento não há o que esclarecer. Se ele conhece você há oito anos e vocês ficam algumas vezes, me parece que ficar é, até agora, a única intenção dele. Mas pense bem: o fato desse rapaz só querer ficar com você não te desmerece de maneira nenhuma. Vocês fazem sexo e me parece que é bom para os dois. Estranho é ele ter pedido para namorar você e voltar atrás sem mais nem menos. Tudo indica que ele é uma pessoa insegura e instável, mas isso é um problema que ele tem que resolver (ou não resolver). O seu problema agora é não entrar romanticamente numa relação complicada. Mas, sinceramente, acho que você não deveria ter colocado a foto dele no orkut sem o consentimento dele. Talvez o rapaz tenha se sentido pressionado e muito exposto. O melhor a fazer agora é não procurá-lo, tentar se divertir e ir em busca de novos amigos e novas companhias. Se ele te procurar, escute as razões dele e pergunte claramente o que ele deseja com você. Se ele não falar, pule fora. Se falar, veja se a proposta te agrada. Se agradar vá em frente, se não agradar busque novos caminhos porque há um mundo inteiro para você descobrir. E lembre-se: a felicidade está em você, não está no outro. Talvez essa frase do escritor e editor uruguaio Constancio C. Vigil ajude você a pensar: "Quem busca a felicidade fora de si é como um caracol que caminha em busca de sua casa".

Escrito por Bety em 01/08/2007

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  30/07/2007

EU SOU FELIZ, E VOCÊ?

Por Bety Orsini

Sempre que posso, gosto de convidar algum amigo para tomar café na Padaria Grão ao Pão, em Piratininga. E foi lá, no último final de semana, acompanhada do meu amigo o arquiteto Ricardo Campos, que me chamou a atenção a manchete de uma revista pendurada no jornaleiro ao lado: "Você é feliz?" Entre um café e outro, fiquei me perguntando se me achava uma mulher feliz. Comentei com Ricardo que, não sei se por pura coincidência ou, quem sabe, uma forma inconsciente de trazer o assunto à baila, livros sobre a felicidade ultimamente andam rondando o meu cotidiano. Um deles, o pequeno volume "A felicidade desesperadamente", de André Comte-Sponville, reproduz a conferência-debate do filósofo ateu francês em outubro de 1999, em Bouguenais. Para Sponville, que diz estarmos separados da felicidade pela própria esperança que a persegue, felicidade e verdade andam muito próximas. E não mentir para nós mesmos é um grande passo para que possamos viver com plenitude a esperança de sermos felizes.
Ricardo concorda com Sponville, de quem é leitor atento. E por conta disso fumou mais um cigarro, extrapolando sua cota diária, enquanto eu coloquei no prato, sem nenhuma culpa, um ovo mexido cheio de manteiga. Logo depois, comprei no florista um maço de lírios Casablanca para perfumar a sala e comentei com meu amigo sobre outra desilusão amorosa, atribuindo o desencontro à maldição das camisolas de oncinha. Há algo estranho com elas, acredito: toda vez que aposto numa estampa de oncinha para um encontro amoroso, alguma coisa dá errado. Meu amigo não se surpreendeu. Acha que não foi por acaso, pois várias amigas lhe confidenciaram a mesma coisa. Ele atribuiu a maldição a Diana Vreeland, a sacerdotisa da moda, aquela mesma que transformou a revista Vogue América na bíblia fashion mundial. A toda-poderosa Diana tinha obsessão por estampas de onça e, cá entre nós, não foi nada feliz no amor.
Apesar do ovo cheio de manteiga e do coração machucado, eu estava feliz naquela manhã de domingo, porque nunca perco a esperança na vida. Por conta disso, meu amigo lembrou que a satisfação depende mais de características de personalidade de cada um do que de estímulos externos. Concordei com ele, que listou algumas coisas que ama: preparar um talharim com vôngoli para os amigos, dar um vôo de asa delta sobre a cidade, cruzar o mar com seu barco Enigma ou usufruir a simples visão da Baía de Guanabara da varanda de sua casa. Lembrei também das coisas que ultimamente andam me fazendo feliz: perceber que tenho uma família maravilhosa, grandes amigos, sentir um prazer enorme de estar abandonando as cores e pintando minha casa toda de branco, ficar animadíssima com minhas novas cortinas brancas aplicadas com florezinhas na mesma cor, criação da estilista Gisele Barbosa. Lembrei ainda do prazer que estou sentindo na leitura de "Rakushisha", o belíssimo livro de Adriana Lisboa - Rakushisha significa a Cabana dos Caquis Caídos, lugar nos arredores de Kyoto onde o poeta Matsuo Bashô escreveu o "Diário da Saga". Isso sem falar da minha volta à cidade mineira de Tiradentes, onde senti o vento batendo nos cabelos enquanto andava na maria-fumaça até São João Del Rey. Lá eu vi e revi o tempo sem me importar com minhas pequenas catástrofes particulares e, como a protagonista Celina, de "Rakushisha", me perguntei se todas as pessoas têm uma dor guardada em algum lugar. Porque sem dor, sem perda, sem falta, não conseguiríamos sentir o prazer que dá a possibilidade de ser feliz. Volto ao livro de Sponville, essa pequena jóia, e me detenho no trecho mais lúcido que, agora, divido com vocês, caros leitores.
É quando ele observa que ser feliz não é ter tudo o que se deseja, mas pelo menos uma boa parte, talvez a maior parte, do que se deseja. Mas observa também que se o desejo é falta e só desejamos, por definição, o que não temos, nunca temos o que desejamos e, logo, nunca somos felizes. Ricardo se entusiasma e continua lendo, em alto e bom som, o trecho de Sponville que diz o seguinte: "Não que o desejo nunca seja satisfeito, a vida não é tão difícil assim. Mas é que, assim que um desejo é satisfeito já não há falta, logo já não há desejo. E longe de ter o que desejamos, temos então o que desejávamos e já não desejamos. Como ser feliz não é ter o que desejávamos, mas ter o que desejamos isso nunca pode acontecer já que, mais uma vez, só desejamos o que não temos."
Naquele momento, ouvindo meu amigo, lembrei-me da frase do escritor francês André Gide: "Nada impede mais a felicidade do que a lembrança da felicidade."


(publicado em: 28/07/07 - O Globo - Jornais de Bairro: Caderno Niterói)

Escrito por Bety em 30/07/2007

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Hola. Estoy querendo cazar con una brasileña. ? es posible conhecer una brasileña muy amável, carinhoza y sencible. si for posible, por favore mandar e-mail para mi persona. perdón no soy muy bon en portugues y estoy la escreber en portuñol. muchas gracias, Esteban Crustille. (Córdoba, Argentina)

RESPOSTA: Caro Esteban, tenho certeza que existem muitas brasileiras amáveis e sensíveis que gostariam de conhecer você. Que tal mandar foto, endereço para correspondência e alguns detalhes sobre sua pessoa e sua vida para que elas te conheçam melhor? Boa sorte, Bety.

Escrito por Bety em 30/07/2007

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Olá Bety achei você no jornal info do globo e fiquei muito feliz porque te procuro já há algum tempo. Gostaria que, se pudesse, tentasse me ajudar. Tenho 46 anos, sou viúva há 1 ano e 7 meses e até então não tinha arrumado nenhum namorado. Meu primo tem um amigo de vários anos que me conhece mas nunca me deu bola. Numa festa ele foi chegando, pediu meu telefone, me ligou, saimos e começou o problema. Ele é casado me liga todo dia, vem onde moro três vezes por semana, me procura, sempre dá a entender que gosta da minha companhia mas fala da esposa muito bem. As vezes fala de futuro, as vezes diz coisas e parece não querer que eu tenha esperanças com ele. Realmente não estou iludida, sei de tudo mas o coração se encantou e se envolveu e o fantasma da esposa não sai de perto de mim. Se ele não gostasse de mim porque me procuraria? Porque faz amor comigo com tanta paixão? O que fazer amiga?

RESPOSTA: Querida amiga, já falei aqui mesmo nesse blog sobre a necessidade que nós mulheres temos de definir um relacionamento. Não estou querendo dizer que querer uma definição seja certo ou errado. Mas às vezes seria bom deixarmos um relacionamento seguir o seu caminho. Como um marinheiro num barco em alto mar que deixa a maré levá-lo sem lutar contra a força das águas. Mas reconheço que algumas vezes não conseguimos, como parece, ser o que está acontecendo com você agora. Mas pense bem: você, uma mulher viúva encontra um homem que gosta da sua companhia, que telefona, te procura várias vezes por semana e ainda faz sexo com paixão. Quanto presente bom, amiga.... Me parece que, para ser uma mulher feliz, só falta mesmo que esse rapaz queira firmar um compromisso, que parece ser a única coisa que ele não pode dar. Será que vale a pena anular todas as outras coisas boas (e são tantas!) porque ele não pode firmar um compromisso com você? Pense bem, amiga: pense no sexo bom, no afeto cuidadoso, nas atenções semanais antes de decidir qualquer coisa. E que bom que ele fala bem da esposa. Assim você ainda pode ter certeza que está lidando com um homem de bom caráter que mostra, verdadeiramente, que está dividido com relação aos seus afetos. Só não pode mesmo esse relacionamento se tornar motivo de infelicidade. Se o fato dele ser casado anular todas as outras alegrias para você, chegou a hora de tentar outros caminhos. Mas se você pensar melhor e achar que não vale a pena jogar para o alto tanta coisa boa, vá em frente. Porque, como dia o ditado, a felicidade é um hóspede discreto do qual só nos damos conta de que ele existe quando está de partida. Carinho, Bety

Escrito por Bety em 30/07/2007

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