RECADO DA BETY

Recebi isso de um amigo e queria compartilhar com vocês. Trata-se de uma montagem com artistas famosos e quadros igualmente famosos. Para abrir, basta clicar na frase abaixo:
MODERNRENAISSANCE.pps
carinho, Bety.
Escrito por Bety em 23/07/2007
CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
Bom dia Bety, vi seu site na revista do Correio Braziliense e achei muito interessante, por este motivo já estou até enviando um e-mail para você. Estou separada há 3 anos e 4 meses, passei por momentos difíceis, procurei ajuda com terapia, fiz constelação em maio/2006, o que me ajudou muito com relação ao meu ex marido. Preciso esclarecer qual a minha ligação com a minha mãe, pois a minha vida financeira foi sempre igual a dela, com muita dificuldade. Tenho 02 filhas, sofreram muito com a separação tomaram minhas dores, hoje, elas não têm contato nenhum com o pai. Estou tendo dificuldade no meu relacionamento com minha filha adolescente, não me sinto feliz mais como estava a 3 anos atrás. Resumindo, estou precisando de ajuda. Você pode me ajudar. Aguarde resposta. Atenciosamente, Marilia Gomes de Carvalho
RESPOSTA: Amiga, acho que não podemos resolver as dificuldades de uma vida num piscar de olhos. É preciso paciência para entender os caminhos que tomamos. A iniciativa de fazer terapia foi um grande passo pois ela nos leva ao auto-conhecimento e o auto-conhecimento é uma forma de poder. Poder de olharmos com lucidez para as atitudes que tomamos. Talvez sua vida financeira seja igual a da sua mãe simplesmente porque as coisas estão difíceis atualmente. Talvez não, quem sabe ao querer se identificar com sua mãe você também procure trilhar os mesmos caminhos. Infelizmente não posso dar uma resposta melhor com tão poucos dados. Uma semelhança apenas não significa nada, mas muitas semelhanças devem ser investigadas. Quanto a separação acho que, na medida do possível, devemos poupar nossos filhos. A sua relação com seu ex-marido não precisa necessariamente ser a relação dos seus filhos com ele. Eu mesma, quando jovem, já cometi esse erro, mas com a psicanálise e a vivência vejo que não é o caminho certo. Correto é deixar que nossos filhos escolham a relação que querem (ou podem) ter com o pai. Por isso é bom evitar falar mal do parceiro, o que fragiliza as crianças. E, a não ser em casos extremos, não é bom para seus filhos não terem nenhum contato com o pai. As vezes punimos um parceiro que não foi bom para nós através dos filhos sem perceber que isso não é bom para eles. Você gostaria de me falar um pouco sobre seu ex-marido e os motivos da separação? Você me diz que hoje não é tão feliz como foi há três anos e eu gostaria de observar que precisamos aceitar que temos momentos mais felizes, outros menos, e que tudo isso faz parte da vida. Os filhos crescem, precisam se libertar de nós, e geralmente tomam atitudes que não nos agradam. É por isso que criaram o termo "aborrescente", você lembra? Mas existe um limite nessa rebelião adolescente que deve ser observado com bastante cuidado. Escreva contando que problemas são esses para que eu possa entender melhor. O trabalho de constelação familiar é uma boa oportunidade que temos de identificar de forma consciente o que está acontecendo com o sistema familiar podendo assim resolver os conflitos a partir da escolha interna de cada um. Mas não existem milagres, existem esforços individuais. E você querida, como anda a sua vida atualmente como mulher? Fale um pouco mais de você. E, para a gente rir um pouquinho nessa vida louca, aí vai uma frase da atriz americana Tallulah Bankhead: "Eu tinha seis teorias sobre o modo de educar crianças. Agora tenho seis filhos e nenhuma teoria".
Escrito por Bety em 23/07/2007
CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
Bety! obg por vc estar sendo tão carinhosa comigo...+ eu ñ esperava outra coisa de vc pois sempre a admirei mto e a acompanhei nos programas, sei q vc tem 1 coração de ouro. keria mesmo te agradecer por ter se importado comigo, saiba q está sendo mto importante p q eu dê valor a tdo o q tenho e inclusive aos meus pais. E por falar nos meus pais eles estão me axando + feliz, calma e aceitando as coisas como têm q ser...tb pudera, tou vendo onde escolho o nosso passeio...creio q será mesmo Fernando de Noronha. O q vc acha amiga? A minha terapeuta disse q ñ vai ter nenhum problema a nossa excursão se eu tomar os remédios direitinho e continuamente, pq a esquizofrenia ñ tem cura e austismo tb é algo q apenas se controla, podendo melhorar o kuadro. Ela me pediu p eu procurar estar aki nesse mundo real e ñ só no meu mundo como sempre acontece. As vezes keria entender a minha doença e as vezes me é tudo tão indiferente, ñ sei te explicar. E Bety, pelo email da sua amiguinha(Aninha),q vc me mandou,se ñ tou enganada,tenho lido várias coisas escritas por ela em comunidades e tb numa revista online, onde li vários textos da mesma q me identifikei mto.Será q é a mesma menina? imagino q vc deva gostar bastante dela...as pessoas na comunidade a adoram, dá p perceber pelos comentários q fazem.Como é a Aninha?vc poderia me falar 1 pouco?é q eu nunca escrevo p ninguém...tenho medo q ela ñ goste de mim.Bjs,Bjs,Malu
RESPOSTA: Sua psicóloga tem toda razão. Temos que aceitar nossas limitações e lidar com elas da melhor maneira possível. Todos nós temos limitações, querida, e admitir isso é um grande passo. Tente passar mais tempo no mundo real e dar alegria a sua vida cotidiana. Por exemplo, que tal criar tarefas para você mesma? Vamos bolar uma agora? Digamos que amanhã você diga aos seus pais que gostaria de colocar a mesa bem bonita para o café da manhã e que eles só poderão ver quando a mesa estiver pronta. Então você vai colocar as xícaras e os pratos mais bonitos e ainda pegar uma flor no jardim, ou várias flores se for possível, e coloca num jarrinho no meio da mesa. E aí sim, eles estão liberados para entrar na sala e tomar o café com você. Vai ser muito bom, amiga. Sabe, os rituais bonitos ajudam a enfeitar a vida. E não se esqueça de colocar uma música bem baixinha, parecida com aqueles tocadas nos restaurantes bonitos. Malu, precisamos sempre embelezar a vida para que sejamos embelezadas por ela também. Faça e me conte como foi, combinado? Olha, a Aninha é mesmo a moça que escreve nas comunidades. Ela é um ser humano maravilhoso, é talentosa, escreve muito bem. E não há perigo dela não gostar de você. Ela já está esperando a sua mensagem. Sabe, a Aninha perdeu a mãe muito cedo e aceitei, com todo orgulho, ser a mãe do coração dela para todo o sempre. É um privilégio ter uma filha do coração carinhosa e amorosa como a Aninha como agora também é um privilégio ter uma amiga do coração como você. Escreva para a Aninha e não esqueça de me contar como foi. Carinho, Bety
Escrito por Bety em 23/07/2007
CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
Bety, fiquei fã do seu blog. Meu problema é igual ao de muitas mulheres que conheço: tenho medo de perder meu amor porque não estou em forma. Antes eu não me incomodava mas agora, apaixonada, isso tem me perturbado muito. O que você me aconselha? Chris
RESPOSTA: Querida amiga, ninguém perde um amor por causa da forma. Porque o amor é muito mais do que isso: ele é alma, ele é sentir. O amor vem de dentro, não sabe o que é celulite, estria, nada disso. Ainda bem, não? Você não conhece alguns casais velhinhos que continuam se olhando com a mesma ternura, o mesmo querer bem independentemente da idade, do envelhecimento da pele e de tantas outras características da juventude? Eles nos mostram o que é o amor. Mas qual é a mulher que não gosta de se sentir em forma? Imagino que atualmente você eseja insatisfeita com o seu físico e, por conta disso, fique insegura. Sendo assim, que tal começar um exercício qualquer, uma dieta, se for o caso? Tenho certeza que, assim, você se sentirá mais segura e, é claro, mais bonita para o seu amor. Boa sorte, amiga.
Escrito por Bety em 23/07/2007
O PRIMEIRO BEIJO
Clarice Lispector
Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
_ Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:
_ Sim, já beijei antes uma mulher.
_ Quem era ela? perguntou com dor.
Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.
O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.
E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.
E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.
A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.
E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.
Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.
O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.
De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.
Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.
E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.
Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.
Ele a havia beijado.
Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.
Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.
Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...
Ele se tornara homem.
Escrito por Bety em 22/07/2007
FRASE DO DIA:
Amigo é aquele que sabe tudo a seu respeito, e, mesmo assim, ainda gosta de você.
(Kin Hubbard, humorista americano)
Escrito por Bety em 20/07/2007
EDUCAR COM AMOR
Educar é viajar pelo mundo do outro sem nunca penetrar nele. É usar o que passamos para nos transformar no que somos. O melhor educador não é o que controla, mas o que liberta. Não é o que aponta os erros, mas o que os previne. Não é o que corrige comportamentos, mas o que ensina a refletir. Não é o que enxerga o que é tangível aos olhos, mas o que vê o invisível. Não é o que desiste, mas o que estimula a começar tudo de novo. O excelente educador abraça quando todos rejeitam, anima quando todos condenam, aplaude os que jamais subiram ao pódio, vibra com a coragem de disputar dos que ficaram nos últimos lugares. Não procura o brilho, mas se faz pequeno para tornar seus filhos, alunos e colegas de trabalho grandes. O excelente mestre não é o que mais sabe, mas o que mais tem consciência do quanto não sabe.
(Do livro "Maria, a maior educadora da História", do psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury)
Escrito por Bety em 18/07/2007