TROQUE SEU NAMORADO POR UM PRETINHO BÁSICO
Por Bety Orsini
Outro dia, ao abrir o meu e-mail, encontrei a mensagem de um amigo querido, o escritor Julio Ludemir, autor de livros imperdíveis, como "Sorria, você está na Rocinha" e "Lembrancinha do adeus", ambos ambientados em favelas cariocas. Marcamos encontro na Fortaleza de Santa Cruz, paisagem preferida do autor, para pôr a conversa em dia. E foi lá que Julio me perguntou com sua delicadeza de sempre: "Bety, você ainda está namorando aquele rapaz?" Quando eu disse que não, que mais uma história de amor tinha fracassado, ele lamentou: "Que pena, o amor lhe cai tão bem como um vestido preto”.E foi, então, que comecei a pensar. Puxa, se o amor me cai tão bem como um vestido preto, por que não trocá-lo definitivamente por um pretinho básico, daqueles que celebrizaram personagens como Gilda, interpretada por Rita Hayworth; ou a sombria governanta Mrs. Danvers, de "Rebeca"?
Rapidamente, registrei as vantagens da troca: o pretinho básico nunca trai, está sempre levantando a sua auto-estima, não falta a encontros marcados, não deixa você naquela agonia do "ele vai telefonar ou não vai", nem desaparece misteriosamente nas noites de sexta-feira. Isso sem falar que, com um pouco de cuidado, ele envelhece tão lentamente que nem dá para notar, não corre o risco de sair do armário se não for obrigado por você, é totalmente submisso às suas vontades e, ainda por cima, emagrece. Puxa, como é que não pensei nisso antes?
A estilista francesa Coco Chanel sabia mesmo das coisas. Ela gostava tanto de um pretinho que seus amigos lhe apelidaram de "Tourinho negro" e "Cisnezinho negro". Conversando sobre o tema com nossa festejada estilista Erika Facuri, no seu ateliê em Itaipu, ela lembrou que, mesmo tendo transformado em mito o pretinho, Mademoiselle não foi à precursora da cor que, muito antes dela, já vinha se insinuando no universo da moda. E falou horas sobre o modelito, pretinho naturalmente, que celebrizou Chanel, batizado pela revista "Vogue" de "Modelo T".
Não foi por acaso que a americana Nancy MacDonell Smith, diretora de moda da revista "Nylon", escolheu este ícone da moda como título de seu primeiro livro, "O pretinho básico", lançado no Brasil pelo selo Planeta. Uma leitura deliciosa que fará você relembrar que Anna Karenina usou preto para ir ao baile em que Vronsky ficou de quatro por ela. E também que mulheres divinas transformaram suas imagens públicas usando um pretinho. Quer um exemplo? Lady Di arrasou num PB em sua primeira aparição com o príncipe Charles. Tudo bem deu no que deu, mas, naquele tempo, as manchetes foram no mínimo espetaculares. E o modelito Versace, com alfinete de segurança, usado pela então angelical garota inglesa Elizabeth Hurley, que serviu como trampolim para transformá-la em símbolo sexual?
Enquanto eu me lembrava das francesas Juliette Greco e Edith Piaf, poderosas, usando calças fuseau negras e aquele rímel bem grosso e negro, Erika atacou de Audrey Hepburn em "Bonequinha de luxo" num tubinho preto Givenchy. E imediatamente me veio à memória Jackie Kennedy no funeral de John, elegantérrima em seu pretinho. Era tanto preto pra lá, tanto preto pra cá, que eu e Érika nos perdemos em divagações e nos esquecemos até do assunto principal: trocar seu namorado por um pretinho básico vale a pena? Do alto de seus 30 e poucos anos, Érika sentenciou: "Não vale não, Bety”.Tudo bem pensei com meus botões, Érika deve estar se lembrando dos abraços, dos êxtases, dos beijos de língua. Que é bom é bom, reconheço, mas muitas vezes paga-se um preço altíssimo por esses prazeres da carne. Quem sabe Érika, daqui a 20 anos, repense a sua conclusão. E você leitora, o que acha? Responda para o meu e-mail. Eu vou adorar saber.
(publlicado em: O Globo – Jornais de bairro: Niterói – 30/09/2006)
Escrito por Bety em 09/07/2007
FRASE DO DIA:
Um homem é um sucesso quando pula da cama de manhã e vai dormir à noite, e nesse meio tempo faz o que gosta. (Bob Dylan)
Escrito por Bety em 09/07/2007
FRASE DO DIA:
O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos. (Eleanor Roosevelt).
Escrito por Bety em 06/07/2007
CONSULTÓRIO SENTIMENTAL
Querida Bety, Acompanho seu programa sempre que estou disponível. Sou esteticista, tenho 38 anos, e vivo um drama neste momento que talvez você possa me ajudar a resolver. Namoro há dez meses um bancário da mesma idade, que conheci no metrô, e me dizia ser divorciado. É minha primeira paixão nos últimos dez anos, depois de uma decepção com um homem casado. Sim, você adivinhou! Este meu amor, além de casado, é casado com uma cliente minha, de quem aos poucos me tornei confidente. Vim a descobrir isso quando ela me mostrou umas fotos de aniversário da filhinha deles, e por um golpe de sorte, posso dizer, não fui a esse aniversário porque tinha outro compromisso no mesmo dia!!!!! Minha dúvida é: conto tudo para ele e termino logo? E o que faço em relação à mulher dele? Devo contar também ou deixo pra lá?
Heliane.
RESPOSTA: Em primeiro lugar gostaria de elogiar o seu texto. Acho que você deveria se dedicar às letras. Pense nisso. Quanto ao romance, aí vai minha opinião. Um homem que mente será sempre um mentiroso quaisquer que sejam as circunstâncias de sua vida. E acredito que você não queira passar sua vida ao lado de um. Principalmente você, que já teve uma decepção anterior, e que já percebeu que esse novo relacionamento também está apontando para várias outras decepções. Mas e a paixão? O que fazer com ela quando nosso coração bate mais forte por um homem e nosso corpo se vê sem defesas diante desse homem? A única coisa que podemos fazer é resistir enquanto conseguimos e aproveitar os bons momentos quando não conseguimos. Seria bobagem dizer "larga esse homem agora" porque você provavelmente não vai conseguir. Mas já saber com quem está lidando é um passo e tanto para que, brevemente, você consiga ir em busca de afetos mais verdadeiros e generosos. Amiga, aprendi que tudo na vida tem que amadurecer para se transformar, inclusive as decepções. Sem dúvida, esse não é o homem que você procura e logo, logo, você sairá em busca de outros caminhos. Mas conte tudo para ele sim e veja o que ele vai dizer. Com relação à mulher do seu namorado, não acho bonito você contar. No fundo, no fundo, isso cheira a vingança e tenho certeza que você é muito maior do que isso. Essa já é uma história dele e da mulher que eles devem resolver (ou não resolver) sozinhos. Escreva novamente contando o que decidiu. Carinho, Bety
Escrito por Bety em 06/07/2007
BESAME, BESAME MUCHO
Por Bety Orsini
Há semanas venho pensando no problema que aflige minha amiga linda e loura. Numa conversa rápida numa esquina movimentada de Icaraí, ela lamentou que seu atual namorado não gosta de beijar de língua. Não dei muita importância. Afinal, pensei com meus botões, beijar freneticamente aquela deusa de profundos olhos azuis só pode ser uma questão de tempo. Tomei um susto quando ela me pediu socorro na última semana. Está ficando louca com a questão do beijo (ou do não-beijo). Diz que já conversou várias vezes com o namorado, que pede paciência, jura que vai tentar mudar, mas implora que ela não toque mais no assunto, porque não gosta de ser pressionado. E admite que, apesar de o rapaz ser "tudo de bom", não está disposta a dispensar o beijo de língua. Nunca! Minha amiga já decidiu: ambos vão ter que se adaptar, ela usa menos a língua do que costuma usar, e ele usa um pouco mais... Timidamente, sugiro que o rapaz pode ter medo de micróbios: "Betynha, ele não tem medo de micróbios, ou não faria outras coisas. “Não é frescura, não, é bloqueio".
Minha amiga já vasculhou a internet para saber tudo sobre homens que não gostam de beijar de língua e nada achou. O fato é que, não sendo beijada, ou só de saber que o namorado não gosta de trocar línguas com ela, sente-se profundamente rejeitada. Acha que esse, digamos, problema com os beijos só pode ser uma anomalia. Como alguém pode não gostar de beijar na boca? Ela chegou até a pensar que o namorado fosse gay. Não que os gays não gostem de beijar de língua, mas ela imaginou o seguinte: "Vai ver ele só gosta de sexo e do que não lembre a ele que sou uma mulher..." Mas logo se lembrou das coisas que o namorado adora fazer com ela e que não confirmam suas suspeitas.
Marquei encontro com a psicanalista Ana Claudia Vieira Vaz, uma craque dos divãs niteroienses, no simpático Buono Café, em São Francisco, para tentar entender melhor a situação. Ana não gosta de fazer psicanálise selvagem, mas acaba concordando com o encontro, desde que seja apenas para uma conversa. Ali, entre um cappuccino e outro, ela lembra dois textos de Freud: "Um tipo especial de escolha do objeto feita pelos homens" e "A tendência à depreciação do amor", no qual o pai da psicanálise trata, entre outras coisas, do fato de o homem separar o amor do sexo, escolher entre a "prostituta" e a mãe. E fomos caminhando por aí. Ana citou o filme "Uma linda mulher", lembrando que a garota de programa interpretada por Julia Roberts, ao ser contratada pelo milionário Edward (Richard Gere), avisa que, em matéria de sexo, é capaz de tudo, menos de beijo na boca. "O não beijar é uma posição muito feminina, porque fala da possibilidade do amor, separa o investimento sexual do afetivo", explica Ana Claudia. Ela lembrou ainda do conto "Fidelidade", do livro "Não te deixarei morrer, David Crockett", de Miguel Sousa Tavares, também autor de "Equador" (recomendo, é uma jóia!). Quando o casal Chesterfield e Marta fazia amor, o marido evitava beijar-lhe a boca porque sabia que "nada há mais difícil de obter na cama de uma mulher que não nos ama do que um beijo na boca”. Imediatamente, concluí: então, é isso, o homem tem é medo de se apaixonar. Até que, a certa altura, íntima das armadilhas do divã, Ana observou: "Mas, Bety, acho que, nesse caso, o interessante é tentar entender se isso é uma questão para ele ou só para ela”.
Como é que eu não pensei nisso antes? Se a loura gosta tanto de beijos, por que escolheu para amar logo um homem que não quer saber de beijos e línguas? Sábio Freud, que insistia em dizer que "nada é por acaso”. Olhei para a atendente do café, Maria Luísa, e perguntei: "Querida, você já teve algum namorado que não gostasse de beijar de língua?" A moça foi rápida: "Eu não, nunca ouvi falar nisso!"
Lembrei-me dos meus 30 anos de análise para tentar entender meu pai, minha mãe, o vizinho, o papagaio e, naturalmente, a mim mesma, e logo imaginei quantos anos seriam necessários para o tal rapaz liberar a movimentação dos 29 músculos (12 dos lábios e 17 da língua) necessários à prática de um mísero beijo. Imagino que devem ser anos, décadas, talvez nunca. Olhei para a minha amiga, com seus inquietos olhos azuis de bola de gude, e pensei: será que vale a pena o investimento? Temerosa em dar uma resposta definitiva para ela; convoco vocês, leitores, a opinar. A loura pára ou continua? Vocês decidem...
(publicado em: 14/10/06 - O Globo - Jornais de Bairro: Caderno Niterói)
Escrito por Bety em 04/07/2007
FRASE DO DIA:
Todas as minhas experiências me provaram que não existe outro Deus que não seja a verdade. (Mahatma Gandhi)
Escrito por Bety em 04/07/2007