17/06/2007

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Oi Bety, Estou precisando de um ombro amigo sim, por isso escrevo!
Quero muito conquistar o Amor do meu marido. Ele pediu a separação dizendo que sou uma pessoa maravilhosa, mas que não me ama....ele disse não saber por que não me ama e que gostaria de me Amar! Não sei onde errei! Somos casados há 11 anos e namoramos 6 (17 anos juntos!). Temos 2 filhos. Eu era feliz e não notei em nenhum momento que ele não me queria mais, pois ele sempre foi carinhoso e o sexo bom! De repente ele falou pra mim que não era feliz! Eu era muito feliz até esse dia!!! Estou vivendo um inferno!!! Ele pediu para tentarmos reatar o casamento, eu fiquei feliz com essa chance, mas não sei o que fazer com ela. Faço muitas coisas para agradá-lo, mas ele arrumou novos amigos, virou vegetariano e não olha para mim .... Ele resolveu por reatarmos o casamento, mas disse que não me ama! Queria muito saber o que fazer....estou completamente perdida! Me ajude por favor!!!!

Um abraço,
Marta


RESPOSTA: Querida, acho que a primeira coisa que você tem que fazer é não tentar agradar ao seu marido o tempo todo, e sim, agradar você. Percebo que a sua vida tem sido um processo contínuo de agradar seu companheiro. Isso significa que sua auto-estima está fragilizada. Pense bem: seu marido disse que queria reatar o casamento, mas que não a amava. E você aceitou isso sem questionar se seria bom ou não o que prova que você não está levando em consideração os seus próprios sentimentos. Enquanto você fizer tudo o que o seu marido deseja, enquanto não olhar para si mesma com orgulho, enquanto estiver disponível o tempo todo, seu marido não olhará para você como mulher. Olhará apenas como boa pessoa e mulher maravilhosa. Tão maravilhosa que é capaz de aguentar tudo. E penso que você não quer ser apenas uma pessoa maravilhosa na vida do seu companheiro. É muito pouco para qualquer mulher. O processo de melhora da auto-estima é longo, trabalhoso, mas vale a pena. Nossa auto-estima não deve, em hipótese alguma, ser associada ao amor ou ao desamor de uma pessoa, a ter ou não ter dinheiro, a ter ou não ter poder. Ela deve ser nossa, independentemente da opinião das pessoas que estão a nossa volta e das nossas condições de vida. Devemos olhar para nós com respeito, admiração e, principalmente com carinho. Às vezes Marta, é preciso romper para não se corromper. Você errou, sim. Errou quando não olhou para dentro de si mesma e percebeu suas qualidades. Errou quando reatou e, mais uma vez, só atendeu ao desejo do seu marido. Chegou a hora de Marta olhar para si mesma para que, enfim, possa se libertar desse sofrimento inútil que é o não-ser. Tudo vai dar certo, amiga. Dar adeus é difícil, mas é possível. Como mostram esses versos de Soror Juana Ines de la Cruz: "Não posso tê-lo e não sei deixá-lo/E ao pensar em razões para um ou outro fazer/Encontro apenas uma, intangível, para amá-lo/E muitas outras, tangíveis, para esquecer./

Escrito por Bety em 17/06/2007

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  16/06/2007

LIVRO DA SEMANA



Gente, estou entusiasmada com minha mais nova aquisição no área literária: O livro ''A dieta sem dieta", que acaba de ser lançado pela editora Best Seller. Dois professores e um bioquímico juram que as pessoas engordam porque estão aprisionadas pelos maus hábitos. O livro pretente ensinar você a quebrar esses hábitos ocultos para emagrecer sem fazer esforço e, o que é melhor, jogando para o espaço a dieta. Nada de contar calorias, grupos de emagrecimento, regimes alimentares do tipo tira-tudo e, graças a Deus, programas de exercícios enlouquecedores. Em vez disso você precisa ser mais receptivo, flexível e satisfazer os caprichos de sua alma. E, pasmem, pequenos gestos como cantar no chuveiro ou fazer uma piada inesperada podem ajudá-lo a emagrecer. O professor Ben Fletcher, a dra. Karen Pine e o dr. Danny Penman passaram mais de 20 anos estudando a flexibilidade comportamental em universidades inglesas e chegaram a seguinte conclusão: se você se tornar mais flexível em sua vida diária perderá peso. Cerca de 500 gramas a um quilo por semana. E não é só isso: ficará mais feliz e satisfeito e será cada vez mais bem-sucedido em todas as áreas de sua vida. Por conta do livro almocei hoje surubim com espaguete ao molho pesto comprado no Congelados da Sonia. E sem culpa. Estava MA-RA-VI-LHO-SO. O livro custa R$ 24,90 e, só de comprar, já estou me sentindo uma sílfide. Boa sorte para todos nós.

Escrito por Bety em 16/06/2007

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CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Sou de Santo Amaro, SP, ouço você desde as amigas invisíveis, admiro-a por sua sensibilidade,simpatia etc...
Tenho uma história de vida tão bonita que não dá para escrevê-la neste espaço. Tive e Tenho meus tropeços.Somente para se ter uma idéia. Sou "casada", tenho três filhos do coração , 16,13 e 10 anos, meu marido é viúvo e a sogra dele mora conosco. Nos damos bem como qualquer outra família, ainda neste ano ela se casar novamente, eu e meu marido seremos os padrinhos. E por aí vai. Neste momento não quero nenhum conselho, não que não precise, é que no momento este é apenas um contato.Quero muito chamá-la de amiga. Obs: Sou uma microempresaria no ramo da decoração, meu site ainda não está pronto mas no mes que vem pode acessá-lo, verá quantas coisas lindas podemos proporcionar . Não é nenhuma propaganda, sou assim como você, apaixonada pelo que faço.

Bem, por enquanto um grande beijo e até a próxima.


RESPOSTA: Penha, fico feliz com a sua mensagem. Acho que você sabe que começar um blog e torcer que ele deslanche dá um pouco de ansiedade (rsrssr). É quase um casamento não, amiga? Sinto que já posso chamá-la de amiga também. E terei o maior prazer em visitar o seu site quando ele estiver pronto. É só você me enviar o link. E concordo: ser apaixonada pelo que fazemos é uma benção. E, para você, um texto lindo das Novas cartas portuguesas (Barreno, Horta e Da Costa) que, tenho certeza, irá embelezar sua tarde de sábado: "Pois que toda a literatura é uma longa carta a um interlocutor invisível, presente, possível ou futura paixão que liquidamos, alimentamos ou procuramos. E já foi dito que não interessa tanto o objecto, apenas pretexo, mas antes a paixão; e eu acrescento que não interessa tanto a paixão, apenas pretexto, mas antes o seu exercício."



Escrito por Bety em 16/06/2007

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CONSULTÓRIO SENTIMENTAL

Oi, Bety. Eu me chamo Vera Lúcia e moro em Diamantina, Minas. Estou namorando um homem casado, amigou meu há oito anos. Ele sempre me assediou, inteligente, charmoso e sensível. Mas eu nunca correspondi. Há algum tempo, porém, comecei a me sentir atraída por ele, e o sexo acabou acontecendo. Agora, sinto falta de liberdade e da perspectiva de viver este amor plenamente. Há um mês, quando tentei terminar tudo, ele, que sempre dizia que jamais se separaria por causa do filho, me surpreendeu com a revelação de que pensa agora em separação e que o faria até o final do ano. Perguntei se ele estava me enrolando. Ele disse que não e que sua separação nada teria a ver conosco, mas, sim, com a falência da sua relação com a esposa. Você acha que ele está sendo sincero?

RESPOSTA: Vera, acho que seu namorado foi sincero desde o início do relacionamento, e tudo indica que continua sendo. O problema é que nós, seres humanos, detestamos que não nos amem acima de tudo. Principalmente nós mulheres. Se ele diz que não quer separar da mulher, não somos suficientemente belas, inteligentes ou qualquer outra coisa que faça com que ele se decida por largar tudo e ficar ao nosso lado para sempre. Se ele, mais tarde, pensa na separação e solta uma bomba como essa (que a separação não tem nada a ver com a história de vocês mas, sim, com a falência da relação dele com a esposa), como é que nós ficamos? Então ele agora pensa em separação e não é por minha causa? Que decepção! Amiga, não devemos esquecer que não somos o centro do mundo e que o outro tem questões anteriores a nossa chegada na vida dele. Não devemos esquecer, principalmente, que seria onipotência de nossa parte querer que uma pessoa jogue para o alto uma vida inteira apenas porque chegamos na vida dela. Isso é romantismo e devemos, acima de tudo, preservar a lucidez nas relações afetivas. Não podemos deixar que um romantismo exagerado interfira e até destrua uma relação que, por enquanto, parece ser prazeirosa. Um relacionamento não dá certo quando dura para sempre. Todas conhecemos relações intermináveis absolutamente mornas, entediantes e frustrantes. Uma relação dá certo quando, durante um espaço de tempo, somos compreendidas, amadas, termos um parceiro ao nosso lado que, quando a relação termina, continua pelo menos sendo nosso amigo. Quanto tempo isso vai durar é um detalhe. O importante é aproveitar os bons ventos do amor. Escrevo agora os versos do poeta Manoel Bandeira que, tenho certeza, você irá gostar: A todo momento o vejo.../Teu corpo...a única ilha/No oceano do meu desejo...

Escrito por Bety em 16/06/2007

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SHUNGA E SAQUEPIRINHA NO CAFÉ PARADOR

por Bety Orsini

No dia em que escrevi esta crônica acordei um pouco estranha. Não foi por acaso. Ter sido pedida em casamento por um "pure japonese man" não acontece qualquer dia. Independentemente da resposta que eu possa dar ao meu suave pretendente, que, diariamente, envia e-mails com comoventes "Niato quer Bety esposa", "Niato não pode mais viver sem Bety", fui assolada por um universo povoado de mangás, gueixas sexualmente competentíssimas e gravuras eróticas de Utamaro. Você não sabe quem é Utamaro? Eu também não sabia até Niato entrar em minha vida. Considerado um dos grandes expoentes da arte Ukiyo-e, Kitagawa Utamaro foi um pintor e autor de gravuras que ficou famoso por seus retratos de belas mulheres, ou bijin-ga, e por suas shungas (gravuras eróticas).

Liguei para minha amiga e psicanalista de plantão Lúcia Lutterbach pedindo socorro para iluminar este momento-arigatô da minha existência. Marcamos encontro no Café Parador, ali no I Fashion e, durante uma salada de salmão fresco com tomate seco (bani os tomates-cereja da minha vida, porque Niato disse que eles trazem má sorte ao coração), conversamos sobre o amor, suas possibilidades e impossibilidades. Contei para ela que Niato adora cinema, saquepirinha, joga golfe no verão e confesso, toda prosa, que vive me chamando de "minha esposinha" e "my sexy Brazilian lady". Ah, esqueci de contar que ele é professor em Kyoto, uma cidade com um milhão e meio de habitantes com detalhes tão delicados como os hábitos japoneses: pequenos bonsais nos jardins, senhoras de roupão de seda caminhando pelas ruas mais calmas e mais de 1.600 templos budistas.

Imaginei a solidão de Niato na simplicidade de seus hábitos perdido numa cidade com milhões de japoneses pra cima e pra baixo, pagando quase um dólar por uma reles banana e, pensativa, disse para minha mãe: "Tadinho dele, mãe, morro de pena, tão longe, ilhado entre milhares de japoneses enlouquecidos." Mamãe, sempre prática, saiu-se logo com esta: "Tadinho de quê, Elizabeth? O homem nasceu lá, sempre viveu lá cheio de japoneses em volta. Você não está boa da cabeça, não. Vou falar com seu irmão." Insisti mais um pouco para ver se amolecia o empedernido coração de mamãe e sugeri: "Já pensou, mãe, ele sentadinho no sofá cor de abóbora aqui da sala, e você no sofá branco, conversando? Ou vocês dois passeando no Campo de São Bento?" Mamãe foi fria e certeira como a espada de um samurai: "Me tira dessa, Elizabeth, eu não ia entender uma palavra do que esse homem fala. Se você cometer essa loucura, e esse japonês vier morar aqui, eu volto pra Itaipu." Tentei ser mais incisiva: "Mãe, mas ele me disse que domina todas as técnicas sexuais do ’Kama Sutra’ também’." Ela foi mais fria ainda: "Ora, minha filha, isso é balela, os bichos procriam adoidado e não têm técnica nenhuma."

Até hoje não entendo a quem puxei com esses sonhos românticos. Garanto que não foi à mamãe, que, todas as vezes que vê meu coração batendo mais forte, insiste em me trazer à realidade com argumentos demolidores: "Minha filha, você parece uma adolescente. Esse japonês só pode ser um louco. Largar tudo na terra dele, profissão, universidade, pra vir ficar com você num país estranho..." Enfim, como diz Niato, o amor tem caminhos que a razão desconhece... Só sei que as frases que ele me diz todos os dias aquecem meu coração. Hoje leio tudo sobre Kyoto. É como se aquela imensa cidade me fosse tão familiar só porque nela existe Niato pensando em Bety. Quando estou triste, as frases que ele me envia ecoam desconexas perdidas no espaço não real da minha vida. Tudo é amor e felicidade com direito a grand finale. "Vamos passar outonos amando em Tóquio"; "Niato quer mimar Bety para sempre"; "diferenças culturais não importar, importar amor"; "quero amar Bety muito, enlouquecer juntos". Doce Niato, solitário Niato, que me acostumei a chamar de "my distant love".

E mamãe? Ah, gente, vocês nem podem imaginar. Apavorada com essa minha paixão nipônica, mamãe foi acometida de um surto estranhíssimo. Comprou um quimono negro com inscrições eróticas e todos os dias, quando eu chego do trabalho, começa a fazer reverências inclinando o corpo para cima e para baixo, gritando palavras estranhíssimas: "Mitsubishi", "Suzuki", "Miojo", "National Kid".

(publicado em: 28/04/07 - O Globo - Jornais de Bairro: Caderno Niterói)

Escrito por Bety em 16/06/2007

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  14/06/2007

SEJAM BEM VINDOS!!!

Oi gente, o blog decolou. Estou um pouco nervosa, afinal, nunca tive um blog e, confesso,
não fosse a ajuda da minha amiga Kely Cristina, não saberia mexer nele direito. Mas, como dizem por aí, sangue de Jesus tem poder e tenho certeza que, rapidinho, estarei esperta nesse mundo fantástico da internet. De hoje em diante quero ser indispensável na vida de vocês. Pretensão minha? Não, apenas um desejo de ajudar vocês que me acompanham há quase quatro anos na Rádio Globo. A partir de hoje vocês poderão ler minhas crônicas (elas são publicadas todos os sábados no Globo Niterói), pedir conselhos sentimentais, sexuais, tirar dúvidas de etiqueta, moda, e por aí vai.
Aceito sugestões. Tenho certeza que, aos poucos, vamos nos entender e transformar esse blog num oásis de amor e compreensão, coisa que está faltando neste mundo. E como!

Sejam bem-vindos.

Carinho,

Bety Orsini

Escrito por Bety Orsini em 14/06/2007

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